Adalberto: goleiro por acaso

Camisa 1 do Botafogo na conquista do Carioca de 1957 confessa que nunca foi louco por futebol

Por O Dia

Rio - Ele aprendeu os segredos da bola com os lendários goleiros Castilho e Veludo; testemunhou o nascimento do rei Pelé,na Vila Belmiro;e, viveu o melhor momento da carreira, em 1957, quando foi campeão carioca jogando ao lado dos eternos Nilton Santos e Garrincha, no Glorioso.

O tempo passou, mas até hoje as lembranças dos anos 50 ainda estão bem vivas na memória de Adalberto Leite Martins, ex-goleiro do Botafogo, Fluminense e Santos. Aos 83 anos e exibindo uma forma física invejável, o ex-arqueiro relembrou com carinho os 11 anos de uma carreira que começou por acaso e não foi marcada, exatamente, pela paixão.

“Nunca fui animado com o futebol. Até hoje não sou”, brinca. “Nas peladas jogava no gol, porque ninguém queria ficar lá. Tomava uns frangos os caras reclamavam e eu justificava dizendo que não era goleiro. Mas aos poucos fui tomando gosto, desenvolvendo. Levava a sério, mas não tinha ambição. Meu sonho era ser médico”, admite o ex-goleiro, que impressiona pela boa forma física. Hoje mantidas com muita malhação—na academia improvisada do quintal, de seu apartamento no Flamengo— e pela natação, duas vezes por semana, na sede de General Severiano.

Adalberto não era muito fã de futebolUanderson Fernandes / Agência O Dia

“Trabalhei muitos anos como preparador físico no Oriente Médio com o Didi(ex-jogador) e o Jorge Vieira (técnico) e depois como professor até me aposentar. Hoje não abro mão de uma boa alimentação e dos exercícios”.

Curtindo a merecida aposentadoria ao lado da mulher, a atriz Dja Martins, com quem esta casado há 42 anos, Adalberto se considera um homem feliz. Mas ao contrários da maioria do seus contemporâneos tenta viver um mundo à parte do futebol.

“Sou sócio Benemérito do Botafogo, mas quando começam a falar de futebol mudo de assunto. Eu gosto do clube, mas vamos falar de outra coisa”, brinca o ex-goleiro que já tem sua programação definida para a Copa do Mundo.

“O Rio vai ficar muito cheio, vou passar uns dias na Europa”, justifica com uma boa risada.

Namoro de Garrincha com Elza marcou

Companheiro inseparável de Garrincha, Adalberto testemunhou vários histórias do amigo.O namoro de Mané, que era casado, com a cantora Elza Soares foi uma delas. Na época, o casal se encontrava escondido na Ilha do Governador, onde o ex-goleiro morava. Um dia, o radialista Orlando Batista descobriu o romance e divulgou na rádio.

“Na mesma hora, a Elza ficou sabendo e foi tirar satisfação com o Garrincha. O Orlando dobrou os dois e eles acabaram falando do romance, ao vivo, na rádio.Foi um escândalo. No mesmo dia, ele foi morar na casa da Elza, na Urca. Houve um cerco de jornalistas, até que eles saíram e deram um beijo”, relembra Adalberto, que sempre considerou a cantora uma grande injustiçada na história do Garrincha. “Ela o conheceu em uma época em que ele estava falido e parando de jogar. A Elza o adotou”.

Adalberto fez história no BotafogoArquivo

‘Pai’ de Jefferson era fã de Veludo

Revelado pelo Fluminense, em 1948, Adalberto viveu o seu melhor momento no Botafogo

“Jogava no aspirante, não era nem o reserva do Amauri, mas o João Saldana me deu uma chance no time e não sai mais. Em 57, fui campeão pelo clube e o menos vazado”, conta orgulhoso o ex-goleiro que já se acostumou ao ser lembrado pela semelhança com o goleiro Jefferson.

“Ele não é um filho perdido, mas me trata como um pai. Já disse que o Jefferson é o melhor goleiro do Brasil e deveria ser o titular da seleção. Merece!”, garante o ex-camisa 1 que no passado se inspirou no goleiro Veludo, com quem jogou no Flu.</CW></CS>

“Ele era excepcional, foi o melhor goleiro que vi jogar. Só era muito boêmio. Ás vezes, chegava no treino sem dormir e mesmo assim fechava o gol”, relembra o ex-arqueiro que jogou nas Laranjeiras de 1948 até 1955. No anos seguinte, Adalberto jogou no Santos, onde acompanhou o surgimento do rei Pelé.