Recheado de dívidas, clube pode ser eliminado da Série C do Brasileirão

Mogi vai receber empréstimo para acertar pelo menos um mês de salários

Por O Dia

São Paulo - Com medo de um segundo W.O. no Campeonato Brasileiro da Série C e sem recursos para acertar os salários dos jogadores insatisfeitos, o Mogi Mirim vai receber uma verba por empréstimo da Federação Paulista de Futebol (FPF) para acertar pelo menos um mês de vencimentos. Com isso, continuaria até o final da competição, faltando ainda quatro rodadas.

Este acordo foi confirmado pela assessoria de imprensa do clube e está sendo intermediado por Mauro Silva, vice-presidente de Integração da FPF, com os jogadores. A ação da FPF se deve inicialmente para auxiliar um filiado em dificuldade e, segundo, para não prejudicar outros três times paulistas que podem ser prejudicados.

O Bragantino, por exemplo, ganhou duas vezes do Mogi Mirim e seria o maior prejudicado com a perda destes pontos. Cairia para nove, correndo o sério risco de ser rebaixado. São Bento e Botafogo perderiam quatro pontos cada e poderiam perder as suas vagas na segunda fase.

O Mogi Mirim não revelou o valor que será cedido pela FPF, que seria em torno de R$ 300 mil. O valor, inclusive, já foi disponibilizado pela FPF e os jogadores devem receber nesta quinta-feira. Mas confirmou que 17 atletas do atual elenco se comprometeram a ir a campo neste sábado, quando o time enfrenta o Tupi, em Juiz de Fora (MG), pela 15.ª rodada. No entanto, os nomes dos jogadores não foram revelados. Além deles, o técnico Lecheva também deve utilizar alguns atletas das categorias de base.

Enquanto a FPF não faz o depósito, o clima continua quente no clube. O meia Cristian, porta-voz do elenco e líder dos protestos, teve o contrato rescindido, mas apareceu no estádio Vail Chaves, em Mogi Mirim (SP), nesta quarta-feira, em reunião do presidente Luiz Henrique Oliveira com o elenco.

O dirigente teve uma discussão acalorada com o experiente meia, de 38 anos, e precisou ser contido para não agredir o representante do grupo. Cristian ficou indignado com a situação. "O presidente passa uma situação que não está nem aí para o Mogi Mirim. Ele fala isso para nós: eu dou comida pra vocês e alojamento, o que mais vocês querem?".

Ainda faltam quatro jogos para que o Mogi Mirim encerre a sua participação na Série C. Como já houve o W.O. diante do Ypiranga-RS, na última rodada, o clube paulista não pode mais deixar de entrar em campo em nenhuma partida, com o risco de ser punido pelo STJD e, consequentemente, excluído da competição. Os jogadores prometeram não ir a campo pela segunda vez se não forem pagos.