Botafogo e Vasco, um clássico com zoeira campeã

Final de 1997 entrou para a história com direito à Dança da Bundinha

Por O Dia

Rio - Beto Jamaica, Cumpadre Washington e a turma do É o Tchan emplacavam o hit ‘Dança do Bumbum’ em todo o Brasil. O refrão era simples — Bota a mão no joelho e dá uma abaixadinha (...) balançando a bundinha — e foi seguido à risca por Edmundo na final do Carioca de 1997. A coreografia era uma provocação ao zagueiro Gonçalves. Mas, na zoeira, quem riu por último foi o Botafogo, campeão daquela edição. O lance, perto de completar 18 anos, até hoje é lembrado por ambos.

Campeão invicto da Taça Guanabara e, depois, da Taça Rio, o Botafogo teve de enfrentar o Vasco, que conquistou o terceiro turno, na decisão do Estadual. Na primeira partida, os vascaínos, que amadureciam o time campeão brasileiro no fim daquele ano, venceram por 1 a 0. Edmundo não perdeu a chance de provocar os botafoguenses, em especial seu amigo Gonçalves.

Edmundo fez Dança da Bundinha na decisãoPaulo Toscano

“A Copa América foi um pouco antes da fase decisiva do Estadual. Na Seleção, o Edmundo prometeu que ia me sacanear de alguma forma, mas não esperava que ele tivesse coragem de fazer aquilo em uma decisão”, lembra Gonçalves. “Aquela dança era uma febre por causa do É o Tchan. Resolvi fazer ali na hora. Hoje, o politicamente correto estraga o futebol, mas eu que estava errado”, admite Edmundo.

O desabafo do Animal se justifica. No segundo jogo, o Botafogo, que precisava só de uma vitória em dois jogos para ser campeão, se vingou. “A dança do Edmundo foi o que inflamou nossa conquista”, revela o ex-zagueiro. Dimba marcou o gol do título e, na comemoração, os jogadores do Botafogo, liderados por Gonçalves, deram o troco e fizeram a mesma coreografia para a torcida do Vasco.

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“Extravasamos com uma brincadeira sadia”, explica o botafoguense. “Isso ficou muito marcado e, se fosse hoje, não faria de novo. Eu teria feito menos polêmicas como essa e mais comerciais”, brinca Edmundo. Mas, ao contrário do que muitos pensam, o episódio serviu também para unir ainda mais os dois. “Somos muito próximos e a amizade aumentou após aquela final. Ele me respeitava e queria provocar a minha expulsão, mas não vi o movimento e só fui saber que era uma dança após o apito final”, diz Gonçalves.

Agora, um novo clássico decisivo entre Vasco e Botafogo coloca os dois em lados opostos na torcida. Entretanto, nem Edmundo nem Gonçalves apontam o campeão deste ano. “Muito equilibrado”, concordam.

Botafogo levou a melhor e foi campeãoMarcelo Regua

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Confusão com a Federação de Futebol do Rio, polêmicas envolvendo Eurico Miranda, disputa política... Assim como o Campeonato Carioca deste ano, o de 1997 ficou marcado também pela confusão fora das quatro linhas. A competição chegou a ser paralisada durante a Copa América para que o Vasco, então com dois jogadores convocados para Seleção principal e dois na Seleção Sub-20, não fosse prejudicado.

“Fomos campeões da Taça Guanabara e da Taça Rio. Aí o Eurico inventou um terceiro turno e foi decidir o Carioca com o Botafogo”, lembrou Gonçalves.

Em represália à decisão da Ferj, que seguiu o pedido do então vice de futebol do Vasco, Eurico Miranda, o Flamengo abandonou o torneio a dois jogos do fim.

Filhos de craque seguem amizade

A ‘Dança do Bumbum’ na final de 1997 eternizou Edmundo e Gonçalves na história do Carioca. Mas a polêmica passa longe da casa deles. Tanto é que o filho do ex-zagueiro, Matheus, é um dos melhores amigos de Edmundo Júnior, filho do Animal. Com 16 anos, ambos jogam bola e frequentam o Maracanã juntos — são torcedores do Botafogo.

“Esse é mais um exemplo de que a rivalidade ficava dentro de campo. Matheus e Juninho cresceram juntos na Barra da Tijuca. E o filho do Edmundo foi meu aluno na escolinha de futebol”, ressalta Gonçalves.

“Acabou que o meu filho tornou-se botafoguense (risos) e isso o aproximou muito do Matheus. São adolescentes, de idades parecidas, melhores amigos, gostam das mesmas coisas. A nossa convivência com o filho do Gonçalves é muito boa”, completou Edmundo.