Reencontro 'apimentado' agita o clássico entre Botafogo e Flamengo

Agora rubro-negro, Willian Arão enfrenta o ex-clube e dá 'molho' ao duelo, que já foi travado no campo político e jurídico

Por O Dia

Rio - A receita da rivalidade entre Botafogo e Flamengo se renova, sem jamais parecer requentada. Neste sábado, às 16h, em Juiz de Fora, o reencontro de Willian Arão com o Alvinegro é o ingrediente capaz de apimentar ainda mais o clássico, que acontecerá em caldeirão estranho ao duelo. Esta é a segunda vez na história que os dois clubes se enfrentam no Estádio Mário Helênio. Na primeira, em 1997, empate em 0 a 0.

Airton%2C ex-Flamengo%2C e Willian Arão%2C ex-Botafogo%2C são personagens do clássico em Juiz de ForaVitor Silva / SS Press / Botafogo e Ernesto Carriço / Agência O Dia

Botafogo e Flamengo não se enfrentam desde o dia 1º de março do ano passado. Tempo que não deixou a rixa esfriar. Em lados opostos na política do futebol carioca, os dois brigaram também no campo jurídico no início desta temporada. Uma cláusula no contrato de Arão dava aos alvinegros a possibilidade de renovação automática, caso o clube depositasse R$ 400 mil na conta do jogador. O volante devolveu a quantia duas vezes e preferiu se mudar para a Gávea.

A torcida botafoguense até hoje não digeriu a transferência, com sabor de traição ao paladar alvinegro. Nos jogos do time, um coro que pede para Airton, ex-Flamengo, quebrar a perna de Arão tem sido recorrente. A rixa, se picante demais, pode passar do ponto.

“Ex-jogador que reencontra o ex-time tem uma mística legal para incrementar o clássico. A gente sabe que nas redes sociais alguns torcedores escrevem coisas desagradáveis. É importante que os profissionais não ultrapassem os limites do jogo. É jogar forte, mas com respeito ao adversário. Deixa rivalidade exagerada para o torcedor”, disse nesta sexta-feira o zagueiro rubro-negro Juan.

No cardápio da rivalidade já teve Manga, o goleiro, com suas declarações provocativas, uma goleada de 6 a 0 para cada lado, quatro finais de Carioca consecutivas na primeira década deste século, entre outras receitas que são sempre saborosas para um lado e indigestas para o outro. Desta vez, Arão está no prato do dia.

“É normal (a bronca da torcida). Ele era peça-chave no nosso meio-campo na Série B. Só tenho a agradecê-lo. Não será a primeira vez ou a última que o enfrentaremos. Desejo que faça uma boa partida, mas que o Botafogo saia com a vitória”, afirmou o técnico alvinegro Ricardo Gomes.

Será a sétima vez que os dois se enfrentam fora do estado do Rio. Nas outras seis, foram três vitórias rubro-negras, duas alvinegras e um empate. Além de Juiz de Fora, o clássico já foi realizado em Fortaleza (1995 e 1996), Manaus (2014), Buenos Aires (1953) e Milão (1978).

Gomes vê Botafogo empolgado, mas rechaça favoritismo

Ricardo Gomes não admite que a confiança alvinegra seja confundida com favoritismo. O técnico não antecipou a escalação para o confronto com o Flamengo, mas vê o Botafogo pronto para buscar a segunda vitória em clássicos, após o empate com o Fluminense e derrota para o Vasco.

Favoritismo? Ricardo Gomes 'dispensa' e projeta dificuldade no clássicoVítor Silva/SSPress/Botafogo

“Estamos bem empolgados, mas sabemos das dificuldades. Contra o Vasco, vi um Flamengo bem arrumado. Teve duas chances claras de vencer. Acreditamos muito nessa partida. Merecíamos a vitória em alguns clássicos. Mas entre merecer e realizar há uma grande diferença. A pressão, nesse caso, vem da torcida. Não vejo favorito nesse jogo”, disse Ricardo.

Para vencer e convencer, o Botafogo precisa balançar a rede. Com 16 gols, a equipe tem o pior ataque entre os grandes. Na véspera do clássico, um grupo de torcedores recordou com faixas as duas maiores goleadas sobre o Fla: 7 a 2 (em 1927) e 6 a 0 (em 1972). Ciente da pressão, Ricardo mantém a fé na evolução de Salgueiro e Ribamar para melhorar o saldo.

Calculadora e clima de final antecipada

Em sexto lugar na Taça Guanabara e há cinco jogos sem vencer, o Flamengo faz contas para não ser eliminado precocemente do Campeonato Carioca. Na calculadora de Juan, a operação é simples: nove pontos em três partidas. Por isso, as últimas rodadas serão encaradas como finais de campeonato pelo time rubro-negro.

Juan destaca clima de decisão no FlamengoGilvan de Souza / FlaImagem

“É decisão. São três jogos agora e temos de conseguir três vitórias. O primeiro é o clássico contra o Botafogo. É um time que briga diretamente por uma vaga”, disse o zagueiro Juan, para quem o Flamengo tem sofrido com a falta de sorte e, agora, precisa suar a camisa.

“É um jogo muito importante, não só porque é um clássico, mas por conta da nossa posição na tabela. Perdemos pontos contra pequenos, temos que recuperar nos clássicos. Não deu contra o Vasco, mas vamos tentar neste sábado. Decisão. Temos três jogos e temos de conseguir as vitórias. O primeiro deles é contra o Botafogo, que briga diretamente por uma vaga”, afirmou.

Escalações

Botafogo: Jefferson; Luis Ricardo (Diogo), Renan Fonseca, Joel Carli e Diego Barbosa; Airton, Rodrigo Lindoso, Bruno Silva e Gegê (Gervásio Núñez); Salgueiro e Ribamar; Técnico: Ricardo Gomes.

Flamengo: Paulo Victor; Rodnei, Wallace, Juan e Jorge; Cuéllar, Willian Arão e Ederson; Gabriel (Marcelo Cirino), Emerson Sheik e Guerrero; Técnico: Muricy Ramalho.