Apolinho e Garotinho contam histórias e falam da magia de mais um Fla-Flu

Tricolor precisa ganhar por pelo menos dois gols de diferença para ficar com o título. Se vencer por apenas um, leva a partida à disputa de pênaltis

Por O Dia

Rio - A vantagem do Flamengo deixou Washington Rodrigues, 80 anos, 'feliz que nem pinto no lixo', como costuma dizer o radialista. Mas, no segundo jogo da final do Carioca, contra o Fluminense, neste domingo, às 16h, no Maracanã, tudo pode mudar, se o locutor José Carlos Araújo, 77 anos, aniversariante do dia, gritar 'golão, golão, golão' mais vezes para o Tricolor. Pelas vozes de Apolinho e Garotinho, da 'Rádio Tupi', outro Fla-Flu, o clássico mais bonito do país, segundo a dupla, chegará a centenas de milhares de ouvintes. Mais uma história para quem tem muitas a contar.

O rubro-negro Apolinho e o tricolor Garotinho são colegas ed trabalho na Rádio TupiMárcio Mercante / Agência O Dia

"É muito melhor trabalhar num grande jogo, quando tem essa energia positiva o tempo todo, a galera gritando, cantando. Com um detalhe a mais: o Fla-Flu é, do futebol brasileiro, o clássico mais colorido no estádio. E, por isso, acho o mais bonito do Brasil", afirma Garotinho. "O Fla-Flu é um show de cores, sons e alegria. É um jogo diferente, festivo. Na época em que tinha o Maracanã para mais de cem mil pessoas, o Rio amanhecia domingo todo colorido, cheio de camisas e bandeiras", concorda Apolinho.

O Flu precisa ganhar por pelo menos dois gols de diferença para ficar com o título. Se vencer por apenas um, leva a partida à disputa de pênaltis. O empate basta ao Fla, na busca pela quebra do jejum de três anos sem taça. Resultado, aliás, que traz boas lembranças a Apolinho.

"Todo Fla-Flu é inesquecível. Eu tenho alguns. O mais importante foi o de 15 de dezembro de 1963, com 194.600 pagantes no Maracanã. O Flamengo jogava pelo empate. Estava 0 a 0 até o último minuto, quando Escurinho, do Fluminense, livre, tentou encobrir o Marcial, que pegou a bola no alto. E o juiz apitou o fim do jogo. Explodiu o Maracanã. Eu estava roendo a unha do pé atrás do gol", brinca o Velho Apolo.

Ele guarda com carinho ainda as recordações da vitória por 1 a 0, em 1956, gol de Babá, quando desmaiou ao levar uma braçada de outro rubro-negro, na arquibancada, na comemoração. A derrota na decisão de 1995, que desencadeou o processo no clube que culminou com a sua contratação como treinador, foi outra que marcou sua vida.

O gol de barriga de Renato Gaúcho também está vivo nas lembranças de Garotinho: "Da cabine onde eu estava, não dava para ver o Renato desviar. Tanto que narrei gol do Ailton. E o Léo Feldman, o árbitro, botou na súmula gol do Ailton, que tinha sido expulso do Flamengo, criticado pra caramba. Um dos maiores opositores do Ailton era exatamente o Kleber (Leite), presidente do Flamengo. Botaram ele para fora, e ali foi a vingança dele", conta.

O narrador mostra respeito máximo à Nação rubro-negra e empurra ao rival o favoritismo: "Nenhum de nós, nem a imprensa, viveria sem essa mística da torcida do Flamengo. O que ela fez no meio de semana, no jogo contra a Universidad Católica, foi algo que arrepiaria qualquer um que estivesse no Maracanã".

Apolinho abraça o amigo. Mas nem a emoção tira o bom humor dele na hora de arriscar um palpite: "Acho que o Fluminense vai jogar pra caramba e perder, injustamente, de 2 a 0". Garotinho responde menos confiante, mas expõe o sonho de ver o Tricolor campeão hoje à tarde: "O Fluminense ganha por 1 a 0. Aí, nos pênaltis, acordei e não vi".