Por pedro.logato

Rio - Ex-psicóloga da seleção, Suzy Fleury alerta que o descontrole emocional de Neymar, na derrota para a Colômbia, é apenas a ponta de um iceberg.O nervosismo excessivo, segundo a especialista, comprova que a atual comissão técnica não aprendeu nada com os erros cometidos na Copa de 2014 no Brasil,

“Foi uma falha grande dele ( Neymar) ter ido contra o árbitro. Quando um jogador se distrai com o juiz, adversário, torcida, ou gramado, mostra que não está devidamente concentrado para a partida.Essas questões são usadas para justificar um descontrole emocional que não é só dele. É preciso sempre ter foco, aumentar o nível de concentração e de enfrentamento dos atletas. Hoje o nível do competitividade dos jogos é muito alto e os clubes estão muito similares. Aí, o emocional é um diferencial.Quando mais decisivo é um jogo, quando mais incerto é o resultado, quanto maior a tensão, mais o emocional será solicitado e passa a ser um diferencial”. explica.

A psicóloga acredita ainda que a Neymardependência tem feito mal a maior estrela da seleção.

Seleção brasileira mostrou descontrole contra a VenezuelaReuters

“Isso deve aumentar ainda mais a preocupação dele em campo. Mas como um time ou uma seleção pode ser estruturada em cima de apenas um jogador?", questiona Fleury. “Nem se ele fosse um super-homem, nem que jogasse o melhor futebol do mundo poderia se esperar que salvasse sempre a pátria. Acabou a era do Romário, em que um jogador conseguia ganhar uma copa sozinho. O futebol é um esporte coletivo. Não se pode esperar de nenhum jogador que ele sempre resolva. Isso não existe mais no futebol de hoje", garante.

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Ao contrário de Felipão, que sempre recorria à psicologia, Dunga prefere os boleiros. Um erro tão grave como a declaração de Carlo Alberto Parreira, em 2014, quando disse que o Brasil era o grande favorito. O excesso de confiança do grupo foi fatal na humilhante eliminação sofrida para a Alemanha.

“O que está acontecendo na seleção é um repeteco da Copa de 2014. A atual comissão técnica está cometendo os mesmos erros. São os mesmos problemas. Quando você repete os mesmos erros é burrice, mas quando insistes neles é irresponsabilidade”, adverte.

Preocupada com a falta de controle emocional da seleção, Suzy Fleury escreveu um artigo sobe o tema, reproduzido abaixo.

"No jogo emocional domine ou seja dominado

Por Suzy Fleury

Dominada pelo emocional, a seleção brasileira de futebol perde da Colômbia na Copa América 2015 e leva essa conta para o próximo jogo com a suspensão automática de Neymar. Mais uma vez estamos diante do despreparo psicológico da seleção, repetindo cenas vividas na última Copa onde perdemos da Alemanha pelo placar de 7x1. É preciso aprender com os erros e fazer ajustes para que os resultados sejam melhores, especialmente em relação a competência emocional e isso requer treinamento porque foco, concentração, saber lidar com a frustração e controle emocional são habilidades a serem desenvolvidas.

Quando a bola começa a rolar em uma partida de futebol, as emoções entram em campo e se apresentam como uma vantagem competitiva ou, desvantagem podendo se tornar um adversário perigoso àqueles que desconhecem seus fundamentos e regras. A palavra “Emoção” tem sua origem no latim “movere”, que significa mover/agir/lutar/enfrentar e, “e-movere”, afastar/fugir/esquivar referindo-se ao conjunto de comportamentos e sentimentos gerados por pensamentos específicos. Portanto, a capacidade de aprender a dominar as emoções começa com a gestão de nossa forma de pensar e, se torna um diferencial do alto desempenho porque emoções improdutivas põem em risco os resultados e a carreira de atletas como os momentos de “sequestro neural” (explosão emocional) protagonizados pela cabeçada de Zidane e a mordida de Soares em Copas do Mundo.

Especialmente nos momentos em que a importância da partida encontrar a incerteza do resultado, a tensão se apresenta para o jogo através da ansiedade com seus sintomas típicos de nervosismo e irritação. Nesses momentos decisivos de nossas vidas, precisamos aprender a focar no que queremos e colocar toda a atenção no que podemos fazer para atingir o objetivo, como fez Vanderlei Cordeiro de Lima, ao ser derrubado na maratona em Atenas.

O ex tenista e atual Coach Timothy Gallwey alerta: “O adversário que mais interfere no rendimento, independente da área de atuação, é o adversário interior. Estado interno cujo oponente se encontra na forma de pensar e não no adversário externo. É ele quem produz distrações através de diálogos internos e julgamentos, capazes de provocar desconcentração, desmotivação e descontrole emocional, até mesmo nos grandes jogadores”.

Por tudo isso, desenvolver a Competência Emocional torna-se imprescindível ao alto rendimento esportivo porque representa às habilidades de autodomínio pessoal e interpessoal que devem ser aprendidas como uma vantagem competitiva.

O psicólogo Daniel Goleman nos ensina que: “Embora haja pontos que determinam o temperamento, muitos dos circuitos cerebrais são maleáveis, portanto, temperamento não é destino. A incapacidade em lidar com as próprias emoções pode destruir vidas e carreiras porque o controle dos impulsos emocionais é à base da força de vontade e do caráter”.

Competência Emocional, portanto, refere-se à habilidade que podemos adquirir ou desenvolver para agir de forma mais estratégica frente aos desafios e revezes da vida. Para ser competente emocionalmente temos que exercitar um conjunto específico de aptidões – cognitivas (mentais), emocionais e motoras. Esse é um trabalho possível de ser feito e exige pratica sistematizada.

Nem tudo na vida está sob nosso controle, mas aprender a dominar nossa maneira de pensar poderá fazer toda a diferença do mundo porque maus hábitos mentais nos criam problemas ou até mesmo pioram os que já temos. Além disso, também dificultam nossa tarefa de encontrar soluções nos induzindo a erros de interpretação ou julgamentos sobre o que nos aconteceu. Aprender a gerenciar a dinâmica do PSAI - Pensar-Sentir-Agir-Interagir, nos ajuda a perceber que somos capazes de produzir estados emocionais de maior qualidade como a alegria, entusiasmo e esperança, mesmo diante de diferentes provocações.

A ênfase está no papel do “jeito certo de pensar” para o alivio do sofrimento emocional se estivermos dispostos a assumir a responsabilidade pela parte que nos cabe desse aprendizado.
Pense nisso!!!"

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