Com direito a cenas lamentáveis, Chile bate Uruguai e avança na Copa América

Em partida tipicamente sul-americana, com dois jogadores expulsos da Celeste, Isla marca para os donos da casa, que garantem vaga na semi e vão em busca da conquista inédita

Por O Dia

Chile - Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. O ditado descreve muito bem qual foi cenário da partida entre Chile e Uruguai. Com posse de bola na maior parte do jogo beirando os 80%, os chilenos dominaram a partida e com um gol de Isla, garantiram vaga na semifinal da Copa América após vencer por 1 a 0 a Celeste, no estádio Nacional de Santiago.

FOTOGALERIA: Confira as imagens da vitória do Chile sobre o Uruguai 

Apesar do domínio amplo do Chile, o Uruguai foi valente na maior parte do jogo e teve chances para vencer, mas desperdiçaram todas. Principal craque da Celeste, na ausência de Luís Suárez, Cavani se despediu da Copa América de forma melancólica: sem gols e expulso na metade do segundo tempo.

Isla foi o salvador da pátria para o Chile e marcou aos 36 do segundo tempo o gol da classificaçãoReuters

Com um a mais em campo, os donos da casa dominaram a maior parte do jogo, mas só conseguiram furar o bloqueio uruguaio graças a inteligência de Valdivia, que serviu a Isla para fazer a festa em Santiago.

Já no final da partida, Fucile também foi expulso, deixando o Uruguai com menos dois, e dando início a uma confusão generalizada em campo, mostrando o típico espírito sul-americano. Garantidos nas semifinais, o Chile agora espera seu adversário na próxima fase, que sairá do duelo entre Peru e Bolívia, que acontece nesta quinta-feira, às 20h30 (horário de Brasília).

O JOGO

Diante de um estádio Nacional lotado, o Chile entrou motivado por sua torcida esperando um sufoco dos donos da casa desde o apito inicial. Mas na realidade quem começou pressionando foi o Uruguai. De forma surpreendente, a equipe celeste se adiantou em campo e chegou por duas vezes com perigo em menos de três minutos com Cristian Rodríguez, que parou no goleiro Bravo.

Reconhecidamente como uma seleção que sempre sai jogando com a bola no chão, o Chile não conseguia trocar passes por conta da pressão uruguaia e abusava dos chutões pra frente. Quando colocou a bola no chão, os donos da casa criaram boa chance em voleio de Vargas, que saiu por cima do gol. A chance trouxe tranquilidade para a seleção chilena, que passou a ter mais lucidez na armação das jogadas.

Apesar dos 80% de posse de bola, o Chile teve dificuldades para furar a muralha montada pelo UruguaiReuters

Mais bem postado na defesa, o Uruguai cedia a posse de bola para o Chile, mas não permitia que o adversário chegasse próximo da área. Porém, mesmo muito atrás, os uruguaios estavam atentos ao contra-ataque e chegavam em velocidade, pecando no último passe. Para os chilenos, diante da muralha erguida a frente de Muslera, foi começar a chutar de longe.

Sem muitas chances claras criadas e com a costumeira catimba uruguaia para segurar a partida, os chilenos começaram a se irritar e lances mais ríspidos se sucederam no jogo. Como um bom e velho jogo entre sul-americanos, a partida ganhou em emoção, não pelas chances criadas e sim pelo nervosismo em campo.

No início do segundo tempo, os papéis se inverteram. Quem começou pressionando foi o Chile. Virando a bola de um lado para o outro e principalmente investindo pelas laterais, os donos da casa encostaram os uruguaios na defesa, mas não conseguiam finalizar apesar de estarem bem próximos da área. Assim como no fim do primeiro tempo, o Uruguai se valia dos contra-ataques para chegar a frente.

Principal estrela do Uruguai, na ausência de Luis Suárez, Cavani decepcionou e foi expulsoReuters

Na melhor chance do Uruguai, Rolán não conseguiu colocar força na finalização após cobrança de falta na área e Bravo encaixou a bola com facilidade. Apesar da chance, quem continuava ditando o ritmo do jogo era o Chile, que tinha posse de bola variando entre 78 a 80%. O que já parecia complicado para a Celeste, piorou aos 17 após Cavani acertar um tapa em Jara, ser expulso e deixar os uruguaios com apenas dez jogadores em campo.

Mesmo com um a mais em campo, o Chile continuava dominando por completo a posse de bola, mas não conseguia se desvencilhar da forte marcação exercida pelo Uruguai, principalmente na entrada da área defensiva. Sem muitas opções de ataque, a equipe chilena rodava a bola de um lado para o outro tentando achar algum espaço na muralha celeste.

Valente, como lhe é de costume, o Uruguai não se entregou e levava perigo em todas as raras saídas que fazia ao ataque. Em dois lances seguidos, a Celeste quase marcou com Cristian Rodríguez, e principalmente com Carlos Sánchez, que acertou uma bomba de fora da área, na qual o goleiro Bravo apenas observou, tirando com o olhar. Apesar dos 80% de posse de bola, o Chile passou a ficar nervoso e dava espaços na defesa.

O fim de jogo foi tipicamente sul-americano: muita catimba e confusão entre os jogadoresReuters

Após tanto martelar, o Chile finalmente foi recompensado pela insistência. Em bola na entrada da área, Valdivia deu passe açucarado para Isla, que livre, chutou no cantinho baixo, sem chances para Muslera. O gol transformou o estádio Nacional de Santiago em um verdadeiro caldeirão, que pulsava empurrando a seleção chilena.

Já quase sem forças para reagir, o Uruguai passou a apelar pela violência e já perto do fim, os jogadores protagonizaram cenas lamentáveis. Aos 42, Fucile, que já tinha amarelo, entrou com força desproporcional em cima de Sanchéz, recebeu o segundo cartão e foi expulso. Após o acontecido, a equipe celeste partiu para cima do assistente e de Sandro Meira Ricci, e a confusão se instaurou no campo, com troca de empurrões entre atletas que estavam jogando e os do banco. No fim de todo entrevero, o treinador uruguaio Óscar Tabárez também foi excluído.

Já no fim da partida, Vidal quase ampliou o placar para o Chile, mas o gol perdido não fez falta, já que a festa no Estádio Nacional de Santiago já estava garantida.

FICHA TÉCNICA

CHILE 1x0 URUGUAI

Estádio: Nacional de Santiago (CHI)
Árbitro: Sandro Meira Ricci (BRA)
Gols: Isla (Chile, aos 35' do 2ºT)
Cartões Amarelo: Isla, Valdivia, Pinilla (Chile) e Fucile, Cavani, Maxi Pereira (Uruguai)
Cartões Vermelho: Cavani, Fucile (Uruguai)

CHILE: Claudio Bravo, Isla, Medel, Jara e Mena; Marcelo Díaz (Matías Fernández, aos 26' do 2ºT), Aránguiz, Vidal e Valdivia (Pizarro, aos 39' do 2ºT); Vargas (Pinilla, aos 26' do 2ºT) e Alexis Sánchez. Técnico: Jorge Sampaoli.

URUGUAI: Muslera, Maxi Pereira, Godín, José Giménez e Fucile; Arévalo Ríos, Álvaro González, Carlos Sánchez (Jonathan Rodríguez, aos 40' do 2ºT) e Cristian Rodríguez; Cavani e Diego Rolán (Abel Hernández, aos 11' do 2ºT). Técncico: Óscar Tabárez.


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