Por pedro.logato

Bósnia - Em 1992, quando tinha apenas 6 anos de idade, Edin Dzeko viu Sarajevo, cidade onde nasceu, ser bombardeada. A guerra civil, que começou em 1991, deixou mais de 250 mil mortos e abriu caminho para a independência de sete nações. A Bósnia e Herzegovina foi uma delas. Era o sangrento fim da Iugoslávia, conhecida como o “Brasil da Europa” devido ao talento de seus jogadores com a bola nos pés.

Edin Dzeko%2C jogador de maior destaque da Bósnia%2C é artilheiro das eliminatórias europeias Divulgação

Vinte e um anos depois, a Bósnia mostra sua identidade como país e deixa para trás as lembranças da guerra. A geração de Dzeko — hoje camisa 10 do Manchester City —, que em 1991 viu a infância ser interrompida por tiros e bombas, é a responsável por colocar a seleção de futebol pela primeira vez em uma Copa, saindo da sombra dos países vizinhos, que até então conseguiram brilharecos no mundo da bola.

“Foram tempos difíceis para todos. Não havia muito para comer, nem o suficiente para três refeições por dia. Todos os dias eu sentia medo. Tínhamos de nos esconder quando ouvíamos os tiros ou as bombas caindo, pois podíamos ser baleados a qualquer momento. Chorei muito. Felizmente a guerra terminou”, postou Dzeko em seu site oficial.

COMEMORAÇÃO COM RAKIJA

O território da Bósnia é ligeiramente maior do que o do município do Rio de Janeiro, e sua população (3,8 milhões) é quase metade da carioca. O país sofre com sérios problemas estruturais e cerca de 45% da população não têm emprego, mas mesmo assim a estimativa de vida na região é bem alta: 78 anos.

Os bósnios são fãs de café e do evento que ele representa. Para eles, a bebida tem que ser apreciada e sair para dar uns goles pode significar muitas horas ao lado dos amigos. No momento da refeição, um dos pratos típicos é o Cévapi, linguiças de carne de boi e de cordeiro com pão sírio.

Em um território marcado pela guerra, a classificação para a Copa do Mundo é provavelmente o evento que mais alegrou o país, que tem no escritor Ivo Andric, ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1961, um de seus ídolos.

“A classificação para a Copa foi, talvez, a coisa mais feliz que nos aconteceu nesses 21 anos de país. As pessoas nas ruas diziam que não é importante vencer nenhum jogo no Mundial, o importante é estar lá. Estamos felizes”, diz a cientista política Azra Alkovic, de 30 anos, que viu a comemoração ser regada com rakija, uma espécie de cachaça feita de frutas e com 40% de álcool.

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