Por rodrigo.hang

Um dos dirigentes mais influentes do futebol brasileiro, o presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, parece não estar tão animado com a Copa do Mundo. Em entrevista ao canal Premiere, ele disse que nunca teve a "ilusão" de que o torneio vai deixar um legado positivo para o país.

"Eu nunca tive a ilusão de a Copa do Mundo melhorar o futebol brasileiro. Disse um tempo atrás que estávamos valorizando demais a Copa do Mundo, que dura apenas um mês. O Brasil enriqueceu, o poder aquisitivo aumentou, mas é ilusão achar que vamos encher o Mineirão, por exemplo, em competições pouco interessantes com preços de ingressos a R$ 80. Era para todo mundo estar empolgado com a Copa, mas o que temos é um terror. O resultado é que ninguém hoje quer sair de casa por ter jogo de Copa do Mundo", disse Alexandre Kalil ao canal Premiere.

Presidente do Atlético Mineiro%2C Alexandre Kalil%2C mostrou pessimismo com o legado da Copa do MundoDivulgação

O dirigente, entretanto, não atribuiu os problemas na organização do evento à presidenta da República, Dilma Roussef, e à CBF, muito criticadas pela população e por veículos de comunicação, mas preferiu não citar o nome dos responsáveis pelos transtornos. Kalil apenas lembrou que os empreteiros irão lucrar num futuro próximo.

"A presidente Dilma não tem culpa. A cúpula da CBF também não tem. Os verdadeiros responsáveis por transformar a Copa numa tragédia estão escondidos embaixo da mesa. Quando o mês de julho chegar ao fim acabou a brincadeira. Aí eu quero ver quem vai encher a barriga dos banqueiros e empreiteiros".

Kalil acredita que a Copa do Mundo beneficiou três clubes brasileiros por terem tido estádios construídos ou reformulados para o principal torneio de futebol e ironizou a escolha de Cuiabá como cidade-sede.

"Os únicos que ganharam com a Copa foram o Atlético-PR, o Corinthians e o Internacional por conta dos estádios (Arena da Baixada, Arena Corinthians e estádio Beira Rio). Os outros 17 clubes da Série A vão chupar dedo. Cuiabá não pode ter estádio (Arena Pantanal) construído ao preço de R$ 1 bilhão para receber ópera depois da Copa", concluiu Kalil, que ainda afirmou que não vai saber pra quem torcer caso Brasil e Argentina, seleção que vai treinar no CT do Atlético Mineiro, cheguem à final.

"O clube acertou um contrato (com a seleção argentina), vai cumprir este contrato, mas não vai investir nada. Só vai receber. A maior torcida de Minas vai estar torcendo e protegendo a Argentina. Tenho certeza que o torcedor do Atlético-MG vai torcer para a Argentina. Tenho que torcer para a Argentina não chegar à final contra o Brasil, pois vou ficar dividido", concluiu o dirigente de 54 anos.

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