Pitaco de Campeão! Mauro Silva pede força emocional para ganhar a Copa

Titular na campanha do tetra, em 1994, ex-jogador acredita em pressão para Seleção conquistar o hexa em casa, faz elogios aos atletas convocados por Felipão e teme enfrentar Argentina

Por O Dia

Rio - Com um time de características defensivas, o Brasil foi tetracampeão mundial em 1994, nos Estados Unidos. Havia uma pressão enorme sobre a equipe comandada pelo técnico Carlos Alberto Parreira pelo fato de a seleção brasileira não conquistar uma Copa do Mundo desde 1970. Em entrevista ao Jornal O Dia, para a série Pitaco de Campeão, o ex-jogador Mauro Silva, titular do Brasil na conquista em solo americano, disse que a responsabilidade na busca pelo hexa se assemelha ao título de vinte anos atrás.

Aos 46 anos, o ex-jogador Mauro Silva foi titular da Seleção que conquistou o tetra em 1994Divulgação

"O paralelo que posso fazer entre as duas é sobre a pressão. A equipe de 1994 tinha a responsabilidade de quebrar um jejum, porque o Brasil estava há 24 anos sem ganhar um Mundial. E essa possui a obrigação de vencer a Copa em casa. A semelhança entre as duas é essa", disse o ex-volante, de 46 anos, que enalteceu a força da torcida para apoiar a Seleção durante os jogos, embora a frustração por uma possível eliminação não deva ser deixada de lado.

"É um aliado porque a torcida vai empurrar o Brasil, assim como foi na Copa das Confederações. Por outro lado, expectativa e frustração podem acontecer. O jogador tem que estar preparado para tudo. Se tomar o primeiro gol, tem que ter alguém para falar “calma, vamos continuar jogando”. O principal é ter o equilíbrio emocional, porque vai ser um Mundial desgastante, pois vamos jogar em casa e respirar a Copa 24 horas por dia. Em 1994, por exemplo, foi uma tranquilidade maior. Os americanos não ligavam para futebol e a gente conseguia se isolar um pouco, para descansar a mente e aliviar a pressão. Aqui, os atletas não vão ter isso", lembrou Mauro Silva.

O ex-jogador também fez questão de elogiar os volantes que Felipão convocou para a Copa do Mundo. Referência na posição, o camisa 5 no Mundial de 1994 acredita que o atual momento vivido pelos jogadores seja um ponto positivo para o Brasil.

Em ação na Copa do Mundo de 1994, nos EUADivulgação

"O setor está muito bem servido para essa Copa do Mundo. Gosto bastante de todos que foram convocados. O Luiz Gustavo e o Paulinho foram muito bem na Copa das Confederações. E nós ainda temos o Fernandinho, Ramires e Hernanes, que estão em ótima fase e são jogadores bem versáteis, que conseguem atacar e defender bem", declarou Mauro Silva, para a apontar um jogador com seu estilo e outro que pode exercer a função.

"O Luiz Gustavo tem as características mais parecidas comigo porque sempre joguei nessa função (primeiro volante) na Seleção. Acredito que o Felipão só chamou o Luiz Gustavo para essa posição porque tem a opção de usar o David Luiz por ali também, já que ele vem jogando assim no Chelsea", disse.

Mauro Silva vê o Brasil como o principal favorito ao título, mas sabe que não seria uma surpresa caso seleções como Argentina, Alemanha e Espanha vençam a Copa do Mundo. É justamente contra os vizinhos sul-americanos bicampeões do mundo que o ex-jogador demonstrou preocupação especial.

"A seleção que eu torço contra desde que começa a Copa é a Argentina. Logo no início do Mundial eu torço para eles serem sejam eliminados porque a Argentina vai vir para estragar nossa festa, botar água no nosso chope. E eles têm um time extremamente perigoso. Os países europeus não possuem um bom retrospecto atuando fora do Velho Continente. Se eu pudesse escolher, não gostaria de enfrentar os hermanos na final. Prefiro jogar diante de Alemanha ou Espanha", revelou Mauro Silva.

Devido às dificuldades de disputar uma Copa do Mundo, o ex-atleta alerta para os problemas que a Seleção venha enfrentar durante a competição, embora acredite que o Brasil tenha boas chances de fazer uma campanha positiva.

"Falar que a Seleção está pronta é muito difícil. A Copa do Mundo é terrível, é uma competição extremamente complicada, que a partir das oitavas de final, não permite erros. Temos totais condições de vencer. Possuímos uma equipe de qualidade, mas não vai ser nada fácil", comentou, para em seguida citar os pontos que o preocupam no time titular.

"Eu não chamaria de ponto franco, mas nós temos algumas preocupações, que são comuns para todas as equipes. Não sabemos como está a forma física e técnica do Julio Cesar, pois ele está jogando no Canadá. Em 1994, nos tínhamos no um ataque formado por Bebeto, Romário, Muller. Hoje, só temos o Fred, que foi bem na Copa das Confederações, mas depois acabou se lesionando e não jogou muito, o que também gera uma aflição. Esses são os principais problemas brasileiros, mas não chegam a ser pontos fracos", declarou Mauro Silva.

O volante, o primeiro à esquerda, comemora o título com Romário, Dunga e outros companheirosDivulgação

Embora pense que o ataque não seja tão qualificado quanto o da conquista do tetra, Mauro Silva é mais um campeão mundial a apontar Neymar como o jogador com maiores chances de liderar a Seleção para a conquista em casa.

"Deve ser o Neymar. Ele é o nosso principal talento. Para mim, pode ser o maior destaque. Mas também temos outros bons atletas, como o meia Oscar e os volantes que atuaram muito bem na Copa das Confederações. No entanto, acredito que em situações normais, o Neymar deve ser o grande nome brasileiro", disse.

Além do Mundial de 1994, Mauro Silva também conquistou pelo Brasil a Copa América de 1997, na Bolívia. Para o ex-volante, que atuou com a camisa verde e amarela por dez anos, nada se compara à glória de ser campeão do mundo. Por isso, a conquista nos Estados Unidos é a maior lembrança que ele guarda da seleção canarinho.

"Não consigo esquecer a Copa do Mundo de 1994. Foi a maior conquista. Estávamos 24 anos sem ganhar um Mundial, o Brasil tinha acabado de chorar a morte do Senna (o piloto morreu num acidente no GP de Ímola, no dia 1 de maio do mesmo ano), e dávamos inicio a um novo plano econômico. Sem dúvidas, foi o momento mais feliz. Depois ainda ganhei a Copa América de 1997, mas nada comparado a uma Copa do Mundo. Vencer a Copa é o sonho máximo de qualquer atleta de futebol, e poucos tem esse privilégio. Maior que isso, seria ganhar o Mundial no Maracanã, mas eu não vou poder fazer. Então, vou torcer muito pela nossa Seleção para alcançar esse objetivo", disse o torcedor brasileiro Mauro da Silva Gomes.

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