Flávio Murtosa admite que as revelações rarearam no futebol brasileiro

Auxiliar dia que talentos diminuiram, após o êxodo prematuro de garotos para a Europa

Por O Dia

Rio - Os torcedores da antiga gostavam de encher a boca para afirmar que o Brasil conseguiria — sem muito esforço — formar quatro boas seleções, devido às várias revelações que, ano após ano, surgiam nos gramados. Com o tempo, porém, a oferta de bons jogadores para a equipe nacional diminuiu — entre outros fatores, pelo êxodo prematuro de muitos garotos para a Europa. Para o auxiliar-técnico da Seleção, Flávio Murtosa, o país, segunda, tem problemas para revelar novos talentos.

“Dos 23 jogadores, apenas quatro que atuam no Brasil foram convocados. Todos os outros jogam fora (do país). Todas as grandes seleções têm esse problema”, frisou Murtosa, que questionou: "Quem são as grandes revelações? Hoje são muito poucos feitos no Brasil. A grande maioria sai muito cedo", concluiu o braço-direito de Luiz Felipe Scolari.

Murtosa vai para sua terceira Copa do MundoCarlos Moraes / Agência O Dia

No Campeonato Brasileiro do ano passado, o atacante Marcelo, do Atlético-PR, foi eleito a revelação do torneio, porém, em nenhum momento foi cogitado para vestir a Amarelinha. Desde 2007, quando o prêmio ‘Revelação do Brasileirão’ foi criado, só Bernard, que estará na Copa do Mundo, teve uma sequência entre os convocados. Os demais vencedores foram Breno (2008), Keirrison (2009), Fernandinho (2010), Bruno César (2011) e Wellington Nem (2012), todos sem nenhum destaque pelo Brasil.

Os números corroboram o pensamento de Murtosa. Em 2002, ano em que o auxiliar-técnico foi o fiel escudeiro de Felipão na conquista do penta, mais da metade (13) dos 23 campeões do mundo atuava no futebol brasileiro.

Quatro anos mais tarde, Carlos Alberto Parreira, então treinador da Seleção, chamou apenas três jogadores que jogavam no Brasil para a Copa do Mundo da Alemanha: Rogério Ceni, Ricardinho e Mineiro, sendo que o último não constava entre os 23 convocados e foi chamado com a lesão de Edmílson. Em 2010, Dunga também convocou três jogadores que atuavam no Brasil para o Mundial da África do Sul: Gilberto, Kleberson e Robinho.

Prêmio milionário à vista

O hexa, se vier, poderá engordar a conta bancária de cada jogador em mais de R$ 1 milhão, segundo reportagem do Estado de S. Paulo. O valor viria do dinheiro que será pago pela Fifa à seleção campeã — US$ 35 milhões (R$ 77,7 milhões). De acordo com a publicação, a tendência é que 60% dessa quantia sejam divididos entre toda a delegação, incluindo comissão técnica.

Há dois meses que a premiação está em pauta. O capitão Thiago Silva e os outros líderes do grupo foram consultados pelo presidente da CBF, José Maria Marin. Seriam R$ 46,6 milhões para serem divididos, ou igualmente entre os 45 integrantes da delegação — R$ 1,03 milhão para cada —, ou 60% para atletas, Felipão e Parreira — R$ 1,116 milhão para cada.

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