Lesão na coxa de Diego Costa se agrava e atacante pode ficar fora da Copa

Jogador corre risco de ficar fora do Mundial do Brasil

Por O Dia

Espanha - O sonho de disputar a Copa do Mundo pode ter se transformado em pesadelo para Diego Costa. Após atuar por apenas oito minutos na final da Liga dos Campeões — tempo que o atacante do Atlético de Madrid ficou em campo na goleada (4 a 1) para o Real Madrid, sábado, em Lisboa —, ele agravou a lesão muscular de grau 1 no bíceps femoral da coxa direita que sofrera dias antes da decisão. E soube ontem, após exames, que só estará recuperado para voltar aos treinos a três dias da estreia da Espanha no Mundial, o que pode inviabilizar sua presença na lista final do técnico Vicente del Bosque.

O treinador quer todos os jogadores 100% fisicamente dentro de uma semana e ficou frustrado com o fato de os médicos espanhóis terem constatado o aumento da microrruptura no músculo da coxa. O que poderia ter sido evitado se Diego Costa não tivesse enfrentado o Real Madrid. É o que garante o doutor Beny Schmidt, considerado um dos maiores patologistas neuromusculares do mundo. Ele ainda critica o tratamento alternativo feito pelo jogador, a base de placenta equina, na Sérvia, para entrar em campo.

Diego Costa pode ficar de fora da Copa do MundoEfe

“Ele se submeteu a um tratamento carnavalesco, empírico, sem embasamento científico. Não existe nenhuma publicação na área sobre este tipo de procedimento e desconheço sua eficácia. Mas a mídia criou os falsos ídolos, os curandeiros. Só que nem todo mundo que é famoso é competente. A Kovacevic quis aparecer”, frisa Schmidt, chefe do laboratório da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), referindo-se a médica Marijana Kovacevic, criadora da técnica e conhecida por ter antecipado os prazos de recuperação de jogadores com lesões musculares como Van Persie e Lampard.

Responsável pelo maior acervo de biópsias musculares do planeta, Schmidt também critica o departamento médico do Atlético de Madrid: “O Diego jamais deveria ter entrado em campo. Sempre que se manipula o músculo para que se regenere antes do previsto, há risco de haver recuperação com fibrose. Além disso, o músculo fica predisposto a ruptura maior. O ideal é aguardar que o músculo se regenere sozinho.”

Médico evita críticas ao atacante

Embora critique a atitude do departamento médico do Atlético de Madrid, o doutor Beny Schmidt admite que a pressão por resultados no futebol é grande e entende a postura de Diego Costa. “É um menino, sem cultura e faz o que as pessoas mandam. O que ele ia fazer? Queria jogar, está sob pressão em um esporte no qual existem interesses políticos e financeiros”, diz Schmidt, que deixa dicas de tratamento para um jogo decisivo: “Nada de placenta equina. A literatura médica reconhece como manipulações seguras fisioterapia, ondas curtas, calor e inteligência neuromuscular. Estes sim são benéficos ao tempo de recuperação e na qualidade do novo músculo formado.”

Descaso com a saúde dos jogadores preocupa

A dramática situação de Diego Costa às vésperas da Copa do Mundo é só mais uma presenciada pelo doutor Beny Schmidt. Responsável pelo sinal verde para a contratação de Alexandre Pato pelo Corinthians — uma das mais caras da história (R$ 40,5 milhões), em 2013, quando o atacante foi liberado pelo Milan após fraco rendimento, devido a uma série de lesões musculares —, o especialista lamenta o descaso dos clubes com a saúde dos jogadores.

“Infelizmente, a ciência do futebol ainda não entrou em campo, pois o futebol não respeita a saúde do atleta, que não deveria jogar com baixa umidade, na altitude, e ter um limite de partidas por ano. A função do cientista é alertar quanto a isso, mas não respeitam a saúde e ignoram a sua importância”, frisa Schmidt.

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