Por bernardo.argento


Rio - Renatinho Sabiá sempre quis ser jogador de futebol. Como a maioria, veio de família humilde, perdeu o pai cedo, e se tornou responsável pelo sustento da mãe e três irmãos aos 14 anos. Enquanto tinha empregos informais, ganhava uns trocados jogando bola nos fins de semana em times amadores de Teresópolis. Mesmo sem ter alcançado a carreira profissional, ajudou Felipão na campanha do pentacampeonato, em 2002, no Japão na Coreia do Sul.

De forma silenciosa, o dublê de zagueiro ajudava a preparar Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, completando o time reserva, quando não estava exercendo a real função de auxiliar de roupeiro. Durante quase 16 anos, Renato da Silva Paulo, 40 anos, pai de dois filhos, Gabriel, 10, e Carolina, 5, foi auxiliar de cozinha, segurança, roupeiro, auxiliar de motorista, enfim, jogou nas 11.
“Em campo, eu era o cone em movimento”, diverte-se. “Minha missão era jogar na sombra dos atacantes. Mas a ordem era não machucar ninguém, para não perder meu emprego. Era uma orientação administrativa mesmo”, conta, saudoso.

Jogador amador, Renatinho ajudou Felipão a treinar a defesa pentacampeã e hoje vive de vender salgadosVitor Machado / Agência O DIA

Enquanto Felipão e a comissão técnica pediam que Sabiá pegasse bem leve com os atacantes titulares, o zagueiro reserva Roque Júnior, exigia do ‘jogador’ uma postura mais dura: “Ele me pedia pra dar pau neles, pra entrar pra rachar mesmo, sem que o Felipão ouvisse. Mas eu tinha medo de perder o emprego. O Roque ficava brabo, mas eu abria as pernas pra eles mesmo”.

Há pouco mais de um ano, Renatinho foi demitido e hoje vive da venda de salgadinho que ele mesmo faz e das boas lembranças que guarda de Ronaldo (ganhou mais de seis camisas do ídolo) e Felipão, que considera um grande ser humano.

“Felipão dava parte de seu bicho pra galera dos bastidores, estava sempre preocupado com as nossas necessidades. Ele é um cara muito bacana mesmo. Sinto muita gratidão por ele”, afirma.

A coleção de camisas, para ele, não tem preço. Ou melhor, pode um dia valer ouro: “Quem sabe, no futuro, elas ajudem a pagar a faculdade dos meus filhos...”

Um alagoano muito louco na Granja

Em meio à frustração de quem não pode entrar na Granja, brota a alegria de Antônio Rodrigues, 40 anos. O alagoano, de Maceió, viajou 36 horas de ônibus, alugou uma casa em Guapimirim, a 13 Km de Teresópolis, e promete fazer plantão em frente ao CT todo dia, sempre com uma peruca verde e amarela à la David Luiz.

Antônio, que vive de vender queijo pelo Brasil, tem quatro filhos, cada um com uma mulher diferente. “São três no Espírito Santo e um na Bahia. Acabei de depositar duas pensões. Sou um aventureiro e fanático pela Seleção”, disse o alagoano muito louco, que comparou David Luiz a Garrincha.

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