Futebol e cerveja em alta na Granja Comary

No melhor estilo Neymar, mestre cervejeiro Gabriel Di Martino dribla a concorrência e dobra a venda de chopes na cidade antes do Mundial

Por O Dia

Rio - Com pouco mais de 20 anos, ele já experimentou o sucesso. Sabe, porém, que ainda tem bastante a beber na fonte da vida. Muitos sonham em estar no seu lugar. Mistura trabalho e diversão, ousadia e alegria, e lida com pressão como poucos. Bom pupilo que é, ouve atentamente as orientações de seu mentor, em sotaque gaúcho carregado, sem abrir mão do improviso. Neymar? Poderia ser, mas trata-se de Gabriel Di Martino, mestre cervejeiro da Sankt Gallen, em Teresópolis, que, com a presença da Seleção na cidade, dobrou a venda de chopes de 1 mil para 2 mil litros semanais.

Aos 23 anos, Gabriel, rubro-negro de coração, dribla qualquer estereótipo de um mestre cervejeiro. Além de jovem, é alto, magro, usa brinco nas duas orelhas e tem três tatuagens. A ousadia de sua rotina está em testar novas fórmulas, sempre ao som de um bom rock n' roll, que garante a alegria. Mas, assim como Neymar, conta com os conselhos de um gaúcho para ser audaz com moderação: seu gerente Paulo Pedrinho Bartelmebs, o gremista que faz as vezes de Felipão na fábrica.

Mestre cervejeiro Gabriel Di Martino%2C da cervejaria St. Gallen%2C em Teresópolis%2C sede da seleção brasileiraCarlos Moraes / Agência O Dia

Bebida com a marca do craque

Se não faltam grandes lances ao currículo de Neymar, Gabriel também marca seus golaços. O maior de todos foi a Therezópolis Jade, uma cerveja do estilo India Pale Ale (IPA), seu favorito, com a assinatura dele. O produto já está à venda nos mercados do Brasil. Enquanto regula temperaturas, controla o tempo e dosa cada ingrediente, com a ajuda de Pedro Conde, o mestre parece até um cientista em um laboratório.

“É tipo uma ciência. Na verdade, uma alquimia. Tem que estudar muita química e físico-química”, disse Gabriel, que explicou como foi a jogada do gol: “A IPA tem um amargor muito marcante. Para fazer a Jade, usamos lúpulos americanos, para ela ficar mais cítrica, com aroma de maracujá refrescante. Para mim é um orgulho enorme ter nascido em Teresópolis, feito uma receita para a cervejaria que me fez um apaixonado por cervejas especiais, no estilo que eu mais gosto e ter dado certo.”

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Atualmente, o alquimista da boa e velha gelada, companheira de guerra de muitos torcedores e liberada pela Fifa nos estádios na Copa, trabalha numa nova receita para a próxima estação. Mas a produção é no estilo treino fechado, para não entregar o ouro, líquido, ao bandido.

“As cervejas para o inverno costumam ser muito alcoólicas e complexas. Para fazer uma cerveja um pouco diferente, planejei criar uma de teor de álcool mediano, algo em torno de 7%, mas pensei em dar uma temperada nela. Ela terá uma novidade para esquentar as pessoas, mas agora não posso falar qual é o ingrediente secreto”, fechou a conta Gabriel, que, mistérios a parte, importa a maior parte de sua matéria-prima da Alemanha.

Venda de cerveja aumentou na Copa do MundoCarlos Moraes / Agência O Dia

Mais experiência no exterior

Assim como Neymar, Gabriel mostrou suas habilidades desde cedo. Aos 18 anos, começou a fazer cerveja em casa. A paixão pelo tema o fez procurar especialização. Não é por marra de craque que o mestre cervejeiro se refere aos bebedores mortais como leigos.

“Fiz o único curso de formação de cervejeiros da América Latina, no Senai, em Vassouras. Um ano falando de cerveja, todo dia, das 8h às 17h. Tem caráter técnico, mas lá fora existe faculdade só para isso”, disse Gabriel, que, como Neymar, precisará sair do país para se tornar um craque completo.

Já Paulo Pedrinho Bartelmebs tem mais a ensinar do que a aprender. Na conta de prestígio de Gabriel, recebe reverências dignas de Pelé. São 40 anos de experiência, 30 deles na Ambev, cujo bar na fábrica de Campo Grande foi batizado com o nome do gaúcho: “Ele fez graduação na Alemanha. É fera. Sem o conhecimento dele eu não faço nada.”

Therezópolis Gold embalou a indústria

Gabriel também sabe muito da história da bebida alcoólica mais consumida no mundo. A cidade de Teresópolis, por exemplo, cresceu na pressão da Therezópolis Gold, “criada em 1912 e primeiro produto industrializado da cidade”, ensina.

Após a primeira guerra, quando o Brasil rompeu com o bloco germânico, a Claussen & Irmãos, primeira indústria de Teresópolis, não conseguiu importar matéria-prima de qualidade e a produção foi interrompida em 1922. Mas o progresso da cidade continuou com o DNA Claussen, com a abertura da primeira indústria de transporte público da Região Serrana.

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