Por pedro.logato

Rio - Generoso, matador e predestinado. Na semana que antecedeu o reencontro de Fred com o Mineirão, onde ele despontou no futebol, o ‘Ataque’ refez o caminho do atacante desde o América de Teófilo Otoni (MG) até os dias de hoje. E o perfil do camisa 9 é revelador. Do antigo apelido ‘Orelha de Taioba’, que ganhou nos tempos do Aciaria, de Ipatinga, ao atual ‘Don Fredón’, o goleador amadureceu. Deixou de lado a indisciplina do início de carreira, ganhou um ar descolado, não perdeu o jeito namorador, mas nunca deixou de ser o irmão camarada, capaz até de presentear com um apartamento um amigo dos tempos difíceis. Mas o maior presente Fred quer dar à torcida brasileira.

Fred é o centroavante da seleção brasileiraAndré Luiz Mello

“Antes da apresentação na Seleção, ele deu um almoço em sua casa em BH e chamou a família e os amigos mais próximos. Disse que estava muito concentrado, pronto para lidar com a pressão e disposto a fazer tudo para o Brasil ganhar o hexa”, conta o amigo de infância, Bruno Barros, hoje lateral do Tupi de Juiz de Fora.

Bruno foi decisivo na carreira do artilheiro. Após despontar no Aciaria, em Ipatinga, Fred foi comprado por R$ 20 mil pelo América de São José do Rio Preto. Mas a experiência não deu certo e Fred pediu ajuda ao velho amigo. “Quando ele me ligou senti que tinha que fazer algo. Mas na época não havia mais testes no América-MG, onde jogava. Mesmo assim conversei com o supervisor e depois com o técnico Spencer, que topou ver um treino dele. Gostou e ele ficou”, relembra

Desde cedo%2C Fred sempre foi namoradorarquivo pessoal

Bruno, que até hoje viaja com a família do jogador nas férias e até ganhou um presentão de Fred: “Meu pai deu muita força e segurou muito a nossa onda, quando começamos a jogar. Muito tempo depois, ele me deu um apartamento em Teófilo Otoni. Ele teve esse reconhecimento.”

Mesmo com a ajuda do amigo, Fred quase colocou tudo a perder. “À medida em que fazia gols, cometia indisciplinas. Coisa de jovem, de chegar atrasado no treino”, relembra Alexandre Faria, superintendente geral do América-MG. De tanto aprontar, o artilheiro quase foi dispensado antes da Taça São Paulo, em 2003. Mas uma reunião com a comissão técnica selou o seu destino. “O nosso técnico (Hamilton) disse que de um a dez, a chance de ele ir para a Taça era um. O Fred viu que a gente estava falando sério e pediu ‘Pelo amor de Deus, essa é a minha chance, eu vim de Teófilo Otoni para vencer aqui, não posso fazer isso com a minha família’”.

Fred perdeu sua mãe muito cedoarquivo pessoal

E Fred ‘aprontou’ na Taça São Paulo. No primeiro jogo foi expulso, no segundo cumpriu suspensão, e no terceiro brilhou ao marcar um gol relâmpago, com apenas 3s17, um recorde só quebrado em 2009. “Depois daquele gol ele percebeu que o negócio era mais sério do que simplesmente brincar de jogar futebol”, relembra Alexandre.

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No reencontro de hoje com a casa onde brilhou, um de seus primeiros técnicos, Moacir Júnior, aposta em uma grande exibição: “Mineirão é a casa dele, é o quintal, onde ele sempre fez muitos gols. Tomara que continue sendo a sua sala de estar e o Fred ajude o Brasil a seguir na Copa. Estaremos torcendo por ele.”

“Ele sempre foi um matador nato, predestinado, o gol nunca ficou pequeno para ele”,

Moacir Júnior foi técnico de Fred no Aciaria-MG

“O Fred é um finalizador de primeira,sempre teve um faro de gol impressionante. Nasceu pra isso”

Hamilton de Souza,Técnico de Fred nos juniores do América-MG

“Ele mudou muito fora de campo com a nova namorada, a Paula. Ele gosta muito ( sexo). Deu uma acalmada com ela e ficou melhor para a Seleção e para todo mundo”

Bruno Barros, amigo de Fred desde os 9 anos

“O Fred continua sendo um garotão, tranquilo, cabeça boa. Fico orgulhoso de ver aonde chegou”

José dos Santos, o Zé Promessa, massagista do América-MG

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