Por pedro.logato

Rio - Nem sempre, em copas do mundo, os jogos posteriores aos da primeira fase eram disputados na base do mata-mata. Em 1950 houve um quadrangular final, o Brasil tinha até a vantagem do empate no último jogo. Em 1974 e 1978, para a disputa da segunda fase, oito times eram divididos em dois grupos de quatro e jogaram entre si: as duas melhores equipes iam para a final do torneio. Em 1982, quando a Copa passou a ter 24 times, as 12 melhores seleções da primeira etapa foram divididas em quatro grupos: os vencedores disputaram as semifinais que classificariam Itália e Alemanha para a final.

Neymar tem a responsabilidade de classificar o Brasil no sábadoErnesto Carriço

O sistema tinha, entre outras, a vantagem de permitir o empate, um resultado sempre admitido no futebol (isto, para desespero dos americanos; para eles, tudo na vida tem que ter um vencedor e um perdedor). Em 1978, por exemplo, Brasil e Argentina empataram na segunda fase da Copa — os hermanos passaram para a final graças ao saldo de gols obtido numa mais que suspeita goleada aplicada na seleção peruana.

O empate é um dos elementos que fazem o futebol ser parecido com a vida do lado de fora do campo. No nosso dia a dia, nem sempre ganhamos, nem sempre perdemos. Muitas vezes, somos obrigados a nos contentar com um empate, um resultado chatinho e meio amargo, mas que, em muitos casos, abre a possibilidade de uma reação. Nem tudo está perdido quando empatamos, não deixa de ser um consolo saber que não somos melhores ou piores que ninguém.

O mata-mata voltou em 1986 e, desde então, passaram a ser eliminatórias as partidas disputadas depois da primeira fase. Ao abolir o empate, o regulamento atropelou a tradição, mas se tornou compatível com o radicalismo de um tempo em que se admite usar todos os recursos em nome da vitória. Enfim, não tem jeito, hoje começa essa etapa decisiva da Copa. Vale apelar para todas as mandigas e de perder a vergonha dos chavões: é hora do tudo ou nada, de botar o coração nas chuteiras que calçam o país. Sem mais delongas, pra cima deles, Brasil!

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