Por pedro.logato

Rio - Na volta do Uruguai ao Maracanã, 64 anos depois de sua maior glória no futebol, deveria ser motivo de festa. Mas a carga emocional é bem diferente daquela que culminou com conquista do Mundial sobre o Brasil, em 1950. A severa punição a Luis Suárez foi uma espécie de ‘Maracanazo’ às avessas e não se sabe qual será o impacto dela sobre a Celeste diante de uma embalada Colômbia, sábado, às 17h, no Maracanã.

Se o camisa 7 Ghiggia decidiu no passado e imortalizou seu nome na história das Copas, a responsabilidade de comandar o Uruguai nas oitavas de final recai sobre o 10, Diego Forlán. Aos 35 anos, ele foi o artilheiro e melhor jogador do Mundial da África do Sul, em 2010. Ele sai do banco de reservas para substituir o ídolo Suárez com a promessa é de muita garra.

Forlán foi eleito o craque da última CopaMárcio Mercante / Agência O Dia

“Para os torcedores do Uruguai que estão ressentidos com o resultado deste castigo a Suárez, saibam que estamos comovidos, mas faremos o melhor no jogo”, decretou emocionado o técnico Óscar Tabárez.

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Os colombianos também depositam suas esperanças no camisa 10. Candidato a craque e revelação desta Copa do Mundo, o meia James Rodríguez, 22 anos, justifica o número que carrega às costas e já marcou três vezes na Copa. Sendo assim, não há palco melhor do que o Maracanã, parque de diversões de craques como Zico, Pelé e Rivelino, para que ele continue a desequilibrar.

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Na ausência do craque Falcao García, machucado, Cuadrado e Gutiérrez postulam o status de herói. “Quem está aqui tem que demonstrar a qualidade do nosso grupo. Em um país como o nosso, que ficou tempo sem participar, temos que mostrar nossa qualidade e saber competir”, afirmou o técnico argentino José Pekerman.

Se o Uruguai tem a história, a camisa, a Colômbia tem na juventude seu alicerce. Prova que nem mesmo a ausência de Falcão García mexeu com a cabeça do time. Sem temores, os colombianos prometem ir para cima e avançar para as quartas.

“Sabemos que o Uruguai nunca dá um jogo como perdido, luta até a última gota de suor. Também lutaremos. Será um jogo muito emocionante. A Colômbia também dará o melhor de si e espero que seja um belíssimo jogo. É uma sensação bonita jogar no Maracanã. Me faz querer jogar bem”, disse o goleiro Ospina.
O fantasma de 1950, por ora, fica nos livros de história, jornais da época ou apenas na mente de quem viveu aquele momento.

Glória no lugar da tristeza

Há anos, a Colômbia dava adeus ao Mundial dos EUA e soterrava a melhor geração de sua história. Eliminada na primeira fase, a seleção tinha jogadores como Valderrama e Rincón. Mas um deles sofreria os efeitos da eliminação.

Autor do gol contra que tirou a Colômbia da Copa, o defensor Andrés Escobar foi assassinado no dia 2 de julho daquele ano e especula-se que o crime tenha sido encomendado por membros do narcotráfico, que apostavam na seleção.

Próximo de uma data triste para o futebol colombiano, a geração atual tem a chance de ir mais longe e é orgulho nacional. A prova disso é que um grupo de 60 colombianos foi a São Januário empurrar a equipe.

“Acho que tudo isso é por causa da maneira como a equipe está integrada. Cada um faz a sua parte e queremos continuar na Copa”, disse o goleiro Ospina.

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