Jogo de muitos erros da seleção brasileira

Descontrole emocional é a ponta visível dos problemas da Seleção, que sofre para agradar em campo

Por O Dia

Rio - Em 2010, todo o destempero de Dunga, que xingou jornalistas e isolou o time, não deu resultado e o Brasil caiu para a Holanda. Quatro anos depois, Felipão buscou aproximar a Seleção do povo. Mas a pressão de jogar um Mundial em casa assumindo o favoritismo mexeu com a cabeça dos atletas. Somado a isso, os poucos treinos, quase nenhuma variação tática e opções entre os convocados fizeram Felipão cometer vários erros.

A cena do capitão Thiago Silva aos prantos, isolado e fugindo da responsabilidade de cobrar um dos pênaltis, revela o descontrole emocional de um time que chora já no Hino Nacional. Se não fosse a experiência de jogadores como David Luiz, Paulinho e até mesmo do emotivo Julio Cesar, a Seleção já poderia ter dado adeus ao sonho do hexa.

Brasil realizou treinamento na GranjaAndré Luiz Mello

O time renega as características históricas do Brasil de toque de bola. O meio-campo sem criatividade vê a bola passar lá pelo alto, nos chutões dos zagueiros em busca dos atacantes. “Voltamos a um tempo antigo, o do futebol inglês. Estamos jogando um futebol de ponte aérea. O time tem que sair jogando. O que falta ao Brasil é coordenação e posicionamento”, analisou o ex-jogador Jairzinho, o Furacão do tri em 1970.

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A dependência de Neymar é nítida e preocupante. E os companheiros, sem cerimônia, jogam a responsabilidade para o camisa 10. Fred é um caso à parte. A Seleção sente falta do decisivo artilheiro da Copa das Confederações, isolado e mal tecnicamente. “O Fred está muito marcado e tendo pouco espaço para jogar. Ele precisa ser mais acionado. Tinha que ter mais jogadas pela linha de fundo e aproximação maior com ele. Mas o Fred também tem que buscar alternativas. Hoje a Seleção é muito dependente da inspiração do Neymar”, analisa Reinaldo, ex-centroavante e ídolo do Atlético-MG.

A resistência de Felipão em trocar o esquema é diretamente proporcional à falta de treinos. Após o jogo contra o Chile, só os reservas foram a campo nos dois dias de atividade. E sem variações táticas e treinos, é mais fácil perder o controle emocional. Só não pode é chorar depois.

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