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Estação Maracanã: Felipão e a foto da Copa de 1974

Depois de 40 anos, Brasil foi derrotado por mais um carrossel

Por pedro.logato

Rio - Uma foto do jogo entre Holanda e Brasil na Copa de 1974 (2 a 0 para eles) define aquela partida. Nela, Dirceu, um de nossos jogadores, aparece cercado no meio-campo pelos dez holandeses que atuavam na linha. Alguns deles estavam com braços levantados, indicando suposto impedimento de um outro brasileiro.

A imagem é a melhor tradução do que ficaria conhecido como Carrossel Holandês, equipe em que ninguém tinha posição fixa, todos atacavam e defendiam. Era o time do craque Johan Cruyff, o mesmo que, antes da Copa seria ironizado por nosso técnico, Zagallo, que o chamara de “crush”, numa referência a um refrigerante com gosto de laranja então muito consumido.

Brasil foi massacrado pela AlemanhaAndré Luiz Mello

Campeão do mundo como jogador em 1958 e 1962 e como treinador em 1970, Zagallo esnobou os holandeses, dizia que eles é que deveriam se preocupar com a gente. Eliminado no jogo contra a Holanda, o Brasil terminaria a competição em quarto lugar, deve ter sido a primeira vez que Crush provocou ressaca em alguém.

Passados tantos anos, Felipão parece ainda achar que com brasileiro não há quem possa. Por arrogância ou limitação, apostou na lógica motivacional e no talento de nossos jogadores como forma de derrotar equipes bem treinadas e estruturadas — não conseguiu sair do empate contra México e Chile e tomou uma histórica goleada da Alemanha, que empatara com Gana e só ganhara da Argélia na prorrogação. Depois do jogo, a perplexidade de nosso técnico lembrava a soberba de Zagallo e o espanto de Dirceu.

No Mineirão, diante dos gols alemães, lembrei da facilidade com que o Barcelona fez 4 a 0 no Santos na final do Mundial de Clubes de 2011. Recordei também dos 10 a 0 da Espanha sobre o Taiti na Copa das Confederações. A farsa daquela partida (irônica, a torcida gritava “Vamos virar, Taiti!”) se repetiu como tragédia na terça passada. Felipão conseguiu fazer com que os bem-remunerados jogadores brasileiros ficassem tão perdidos quanto os taitianos.

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