Argentina x Alemanha: a batalha final do Maracanã

Seleções decidem a Copa das Copas em duelo repleto de glórias, traumas, sorte, azar e muitas coincidências

Por O Dia

Rio - Os deuses do futebol capricharam no último capítulo da Copa das Copas. Se faltou o Brasil, não vai faltar drama na final de domingo a partir das 16h. Alemanha e Argentina reeditam um dos duelos mais acirrados da história da competição e trazem para o Maracanã suas glórias e traumas do passado. Escolas diferentes com camisas pesadas que carregam sorte, azar e até mesmo um grande número de coincidências.

A Alemanha, por exemplo, conquistou dois de seus três títulos em anos terminados com o número 4 — tirando 1990, o país foi campeão em 1954 e 1974 — e, como logo mais, vestia o uniforme branco em todas as suas conquistas. O tetracampeonato pode vir após 24 anos do tri. Curiosamente é o mesmo tempo de jejum que Brasil e Itália superaram em 1994 e 2006, respectivamente.

Argentina e Alemanha fazem duelo por título no palco máximo no futebolArte%3A O Dia Online

“Normalmente não acredito em coincidência. De 74 para 90 não foram 24 anos. Não acredito em números, não”, minimizou o técnico Joachim Löw, que confia no futebol coletivo jogado por Müller, Schweinsteiger e companhia para ser o primeiro país europeu a conquistar uma Copa nas Américas.

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“É uma questão de querer ganhar. Nós sabemos que podemos entrar para a história, pois isso não aconteceu no passado. Os sul-americanos dominaram sempre”, completou.

A bicampeã Argentina, por sua vez, terá de vencer seus próprios fantasmas para estragar os planos do rival. Os hermanos nunca conquistaram o título com o uniforme azul, utilizado no vice-campeonato em 1990, amargam seguidas derrotas para o adversário nas últimas edições da Copa e convivem com a ‘Maldição de Tilcara’.

Antes de conquistar o Mundial de 1986, a delegação teria feito a promessa de voltar à igreja do vilarejo com o troféu se fosse campeã no México. Mas não voltou e desde então amarga o jejum. A confiança do técnico Alejandro Sabella, entretanto, segue intacta. “Esperamos que o resultado seja o mesmo de 1986. Há um certo grau de comparação, mas já passou muito tempo e esperamos que a situação se repita.”

Um título para alemães ocidentais e orientais

A quarta estrela no peito pode ser a primeira de uma Alemanha unificada. De 1949 a 1990, o país esteve dividido ao meio e viu seu lado ocidental, capitalista, levantar três Copas, enquanto a porção oriental, comunista, jamais teve tradição no futebol. Hoje, o país, reunificado, tem a chance de comemorar um título mundial pela primeira vez.

Entre os 23 convocados, só o meia Kroos nasceu no lado oriental. O jogador do Bayern de Munique veio ao mundo em 4 de janeiro de 1990 — nove meses antes da reunificação —, em Greifswald, e é o símbolo de uma seleção unida. Kroos, que fez dois gols contra o Brasil, ainda concorre ao prêmio de melhor da Copa.

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