Homem de Gelo: Paulinho ganha a confiança de Felipão e dos torcedores

Frio e calculista, volante virou unanimidade com talento e jogando em alto nível

Por O Dia

Rio - Frio e calculista, Paulinho é um volante que foge à regra e está escasso no futebol mundial. Lançamentos milimétricos e a tranquilidade na hora de finalizar são marcas registradas do ‘fominha’ camisa 18, um dos heróis brasileiros na Copa das Confederações. Os dois gols marcados em quatro jogos comprovam a vocação de artilheiro do corintiano, que está próximo de se transferir para o Tottenham, da Inglaterra.

Da base do Audax-SP, em 2006, passando pelo frio gélido do Vilnius (Lituânia) e do Lodz (Polônia), até despontar no Bragantino, em 2010, Paulinho, de 24 anos, foi um líder natural e amadureceu com as vacas magras e o racismo sofrido fora do país. Pensou em abandonar o futebol. Mas, para a nossa sorte, o desejo não se concretizou.

Paulinho comemora gol em vitória sobre o Uruguai na semifinalAndré Mourão / Agência O Dia

“Ele é frio, maduro. Sabe sempre o que fazer com a bola e nunca o vi nervoso”, conta Frontini, seu ex-companheiro de Bragantino. “Na ocasião, estávamos sem receber salário há meses e fomos conversar com o presidente. O Paulinho tomou à frente da coisa e quando todos pensavam que ele ia se estressar, foi tranquilo e ajudou a resolver o problema”, completou o atacante, de 32 anos, que hoje defende o Vila Nova de Goiás, na Série C do Brasileiro.

DICAS PARA BRILHAR

A frieza para decidir, seja em qualquer âmbito da vida, é característica nobre de Paulinho. Após abandonar a Polônia, vítima de racismo, ele pensou em parar, mas acabou voltando ao Audax para disputar a quarta divisão paulista. Lá ele começou a aparecer, despertou o interesse de empresários e clubes da elite. Mas foi sua chegada ao Corinthians que consolidou a carreira do volante com jeitão de meia.

“Quando ele foi para o Corinthians, chamei-o num canto e disse que jogar lá ia ser diferente. Mas ele se saiu bem”, analisa o ex-companheiro Lúcio Bala, que passou por Santos, Flamengo e hoje está no outro rubro-negro, o do Piauí. “Paulinho tem uma característica rara. Poucos chegam tão bem ao ataque e finalizam como ele”, elogia Lúcio.

Realmente, a veia artilheira é algo que chama a atenção em Paulinho. No Paulistão de 2010, o volante atuava como meia e foi artilheiro do Bragantino, com oito gols, um a mais que Frontini. O fato é lembrado com bom humor. “Mas também, eu finalizava e quando ia pegar o rebote ele já estava na minha frente. Eu reclamava: ‘pô, Paulinho, assim você me quebra”, revela Frontini.

Contra a seleção da Espanha, mais do que nunca, o Homem de Gelo brasileiro precisa usar seus poderes e transformar sua fome de gols em bola na rede.

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