Flamengo faz ‘terapia em grupo’ contra rebaixamento

Jogadores evitam falar em risco de queda para não abalar a confiança do elenco

Por O Dia

Rio - O Flamengo está em crise de identidade. Sem saber se sua face verdadeira é a que briga pelo título na Copa do Brasil ou aquela ameaçada pelo rebaixamento no Brasileiro, o elenco parece praticar terapia em grupo. Numa espécie de trabalho de autossugestão, jogadores repetem o discurso de que não se pode pensar em risco de queda, mesmo com o Rubro-Negro a três pontos da Portuguesa, primeira equipe entre as quatro últimas colocadas. Nesta quinta, o time enfrenta o Santos, às 21h, no Maracanã.

Flamengo vive momento de instabilidadeAndré Mourão / Agência O Dia

Para Gabriel, esquecer o risco de rebaixamento não é uma questão de fugir da realidade, mas de ponto de vista. “A gente tem noção de que o momento não é bom. Mas quanto mais se pensa no que está embaixo, isso puxa você para baixo. A gente tem que pensar em passar quem está na nossa frente”, afirmou Gabriel, que prefere olhar para a classificação com otimismo.

“Falo porque a tabela mostra isso. Se tivéssemos empatado domingo, passaríamos alguns times. O Vasco é o décimo e está três pontos na nossa frente. A mesma distância que vocês (jornalistas) dizem que estamos de lá de trás. Temos que pensar na frente para ter confiança. Quando encaixar, vai ser difícil segurar a gente”, emendou.

Quando Gabriel trocou o Bahia pelo Flamengo, imaginou que estivesse dando um salto na carreira de jogador. Hoje, porém, olha para a tabela e vê seu ex-time em 13º com 23 pontos, enquanto o Rubro-Negro está em 15º, com 22. Além disso, no confronto direto os baianos levaram a melhor: 3 a 0. O camisa 10, no entanto, não deixa isso abalá-lo psicologicamente.

“É ruim ver o Flamengo na parte inferior da tabela, mas não por estarmos atrás do Bahia. Temos que pensar em colocar o Flamengo na parte de cima da tabela”, disse.

Perguntado sobre qual é a pretensão do Flamengo para o Campeonato Brasileiro, Gabriel faz previsão pessimista em relação à grandeza do clube: décimo lugar. Mas, quando questionado sobre a possibilidade de o time priorizar a Copa do Brasil, onde tem chance de ser campeão e ir à Libertadores, lembra do peso do manto sagrado: “O Flamengo tem que ser 100% em todas as competições”.

Gabriel admite que caiu de produção

Gabriel foi contratado por ter sido uma das revelações do Campeonato Brasileiro de 2012, pelo Bahia. Mas ainda não correspondeu às expectativas. No início do ano, teve boas atuações e se destacou pelo atrevimento nas jogadas individuais e por não ter medo de arriscar finalizações. Características que se apagaram no segundo semestre, assim como seu futebol.

“Tenho finalizado e arriscado mesmos. Estou sentindo falta disso. Às vezes depende do esquema tático. Tenho que ajudar atrás, faço isso sem problema, mas fica mais difícil de chegar na frente. O Mano é um grande treinador e vai saber ajeitar isso”, disse Gabriel, que afirmou não se sentir à vontade atuando centralizado:

“É uma questão de característica. Para mim é complicado receber de costas, prefiro receber dos lados, em velocidade.”