Por rafael.arantes


Rio - A vida de Jayme de Almeida Filho, 60 anos, sempre foi em função do Flamengo. A criação se deu no Leblon para ficar mais perto do trabalho do pai, que jogou no Rubro-Negro, de 1938 a 1950, e depois foi funcionário do clube, até 1961. Conhece tanto a Gávea que às vezes encontra pelo caminho quem duvide de suas lembranças do tempo em que a sede contava com uma hípica, onde o treinador andava a cavalo na infância. Até sua fé recebeu influência. Não à toa o técnico cultiva simpatia por São Judas Tadeu, embora garanta que não irá à igreja no dia do santo, 28 deste mês.

A fé e o amor pelo Flamengo são hereditários. Quando Jayme de Almeida ainda era zagueiro do Flamengo, entre 1973 e 1977, sua mãe, dona Elvira, 89 anos, incapaz de segurar o nervosismo a cada partida do filho, se agarrava à sua crença, entocada na igreja.

Jayme satisfeito com momento no FlamengoAndré Mourão / Agência O Dia

“Eu nasci em casa. Minha mãe tinha medo que trocasse o filho dela no hospital. E sofre com o Flamengo até hoje. Ela é muito religiosa. Quando eu jogava, ela ia para a igreja Santa Mônica e ficava lá até o fim do jogo. Depois, sabia o resultado pelos porteiros da rua”, lembra Jayme.

A religiosidade do treinador mistura o catolicismo e o espiritismo que aprendeu com Cláudia, sua mulher. Mas é comedida. Ir à igreja, só em dia de semana, sem missa ou comemoração de dia santo. Prefere refletir sozinho, sem Pai-Nosso ou Ave-Maria, em silêncio. E não pede por bons resultados. A vitória e o sucesso vêm com suor.

No Leblon, Jayme se apaixonou pelo futebol. Mas os campos eram de areia, na orla, sem compromisso. Por pouco, o treinador não seguiu outro caminho. Zico & Cia. o colocaram na trilha da bola.

“Jogava na praia o dia todo desde os 12 anos. Eu era sócio do Flamengo, ia à piscina, e um dia falei com um amigo para jogarmos futebol de salão no clube. Fui chamado para o campo, mas eu não tinha essa pretensão. Eu queria ser médico, adorava biologia. Fui treinar, mas não gostei de usar chuteira. Continuei indo, conheci o Zico, comecei a ter amizades e peguei gosto. Demorei a levar a sério”, revela Jayme, que chegou a ser suspenso por um mês pelo treinador por ter sido flagrado jogando na praia na véspera de um clássico contra o Botafogo, ainda na base.

Jayme joga pelada às quintas-feiras em seu condomínio na Barra da Tijuca. Mas não respira apenas futebol. Adora cinema, teatro e livros. Ele afirma que está sempre lendo. Atualmente, devora ‘Casagrande e seus demônios’, biografia do ex-atacante, hoje comentarista. O último filme que o encantou foi ‘Flores Raras’, de Bruno Barreto, que conta a história de amor entre a arquiteta brasileira Lota Macedo Soares e a poetisa americana Elizabeth Bishop.

Para relaxar, não dispensa um bom vinho tinto, argentino ou uruguaio, harmonizado com algum tipo de carne vermelha. A bebida também pode vir do Chile e é uma boa desculpa para fazer render a resenha com os amigos.

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