Por pedro.logato

Rio - Por sua grandeza e complexidade, o Flamengo nem sempre é compreendido por quem não tem raízes rubro-negras. Talvez por isso, tenha alcançado suas maiores conquistas com jogadores revelados na Gávea. E a lógica funciona também para o comando da equipe. Nem sempre ter grife basta para um técnico obter sucesso no clube. Assim como craque, o Flamengo também faz técnico em casa. E Jayme de Almeida, chamado de burro na vitória por 2 a 1 sobre o Bahia, é mais uma prova disso.

Jayme vive grande momento no FlaAndré Mourão / Agência O Dia

Dos seis títulos brasileiros do Flamengo, cinco foram conquistados com um técnico que havia jogado pelo clube. Paulo César Carpegiani (1982), Carlos Alberto Torres (1983), Carlinhos (1987 e 1992) e Andrade (2009). No primeiro, em 1980, Cláudio Coutinho comandou o time. Embora não tenha sido jogador, ele era rubro-negro e conhecia muito bem o clube, tanto que seu filho chegou a ser vice de futebol na gestão da Patricia Amorim.

“A grande vantagem é conhecer o Flamengo, ser criado no clube, ter sido submetido à pressão da torcida. Você consegue administrar bem isso. Vivenciei isso como jogador”, disse Andrade, que emendou: “O Flamengo é um clube de massa, acostumado a títulos. Ajuda bastante conhecer cada cantinho do clube: a lavanderia, o barzinho, a mercearia... Cheguei aqui com 13, 14 anos. Com o Jayme não foi diferente. E ele já convivia com o grupo, como eu em 2009.”

Andrade assumiu o time na 14ª rodada daquele campeonato. Com a vitória sobre o Santos na estreia, o Flamengo subiu para a nona colocação e arrancou rumo ao hexacampeonato. Para Jayme não dá tempo de buscar o título, mas o Tromba, como o ex-camisa 6 é conhecido, defende a manutenção do atual técnico para 2014.

“O resultado diz isso.Acho que é coerente e seria o reconhecimento ao trabalho que ele realizou no momento difícil do clube”, afirmou Andrade, que lembra não ser garantia de sucesso na carreira ter êxito no Flamengo:

“Não sei se o Carlinhos tentou, mas eu tenho dificuldade de entrar no mercado”.

Meta de Hernane cada vez mais próxima

Com a mesma facilidade que bate (até de canela) na bola para balançar as redes adversárias, Hernane deu um chutão na desconfiança geral. Foi promovido de bonde a goleador por méritos próprios. Seu segredo é a ambição. Sempre com fome de gols, já pensa em abocanhar a artilharia do Campeonato Brasileiro. Faltam dois para alcançar Ederson, do Atlético-PR, que já marcou 15 vezes e lidera a disputa. Domingo, contra o Atlético-MG, o Brocador quer mais.

“Creio que hoje posso pensar na artilharia. Estou a dois do artilheiro, os gols foram saindo, fui me aproximando. Posso brigar, sim. Seria uma marca individual muito importante”, disse Hernane, que nunca se abalou com as críticas.

“O Hernane era um jogador que poucos acreditavam. Era artilheiro do Campeonato Carioca, mas diziam que queriam ver no Brasileiro. Agora, estou mostrando que posso vestir a nove do Flamengo”, afirmou.

Hernane tem a meta de fazer 30 gols no ano. Com 28, já alcançou Edílson Capetinha, maior artilheiro do Flamengo numa única temporada neste século. Além disso, é o maior artilheiro do novo Maracanã. O estádio, aliás, é ingrediente fundamental na receita do goleador.

“Graças a Deus estou vivendo um momento muito bom no novo Maracanã, tenho onze gols (em 11 jogos), pretendo fazer mais. Queria fazer os gols para ajudar o Flamengo. Sabia que quando menos esperasse estaria brigando pela artilharia. E esse momento chegou. Primeiro vou pensar nos trinta gols e, quando alcançar, pensar num novo número”, prometeu.

O camisa 9 disse ainda que os gritos de “burro” da torcida para Jayme de Almeida, quarta-feira, serviram de estímulo para ele fazer o gol da vitória sobre o Bahia: “Aquilo mexeu não só comigo, mas com todos os jogadores. A vitória e o gol foram para ele.”

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