Por pedro.logato

Rio - De folga, após a derrota para o Fluminense, Jayme de Almeida, sujeito bom de onda, como se diz na gíria, foi com a esposa à praia da Barra da Tijuca. No dia seguinte, comandaria mais um treino no CT do Ninho do Urubu. O descanso, no entanto, deu lugar a uma série de telefonemas. Além de amigos preocupados, jornalistas queriam repercutir a sua demissão. Mas o treinador boiava na história. Foi o último a saber.

Da primeira notícia sobre a demissão à ligação do vice de futebol Wallim Vasconcellos para comunicar Jayme da decisão, passaram-se sete horas e quarenta e quatro minutos. Meia hora depois, o clube divulgou nota oficial. A forma como a situação foi conduzida deixou a diretoria, cujas as principais bandeiras são a transparência e o profissionalismo, na alça de mira dos críticos. O treinador se disse perplexo.

Jayme de Almeida deixou o FlamengoCarlos Moraes / Agência O Dia

“Estou perplexo com o fato de não ter recebido nenhum telefonema durante todo o dia, quando todos da imprensa já afirmavam que eu havia sido demitido e, inclusive, já davam um novo técnico. Só fui receber uma ligação do Wallim às 18h30. É inadmissível que uma coisas dessas aconteça em pleno ano de 2014. Eu gosto de lidar com as pessoas olho no olho. É o meu modo de ver a vida”, disse Jayme, que emendou:

“Infelizmente, o futebol é feito única e exclusivamente de resultado imediato. O passado e o futuro não são levados em consideração. Conquistamos a Copa do Brasil mesmo sendo encarados como um dos piores times e um título estadual quando ninguém mais acreditava na equipe. Vai demorar até que o pensamento seja diferente disso no futebol brasileiro.”

Wallim não atendeu às ligações do ‘Ataque’ para explicar por que tal procedimento foi adotado. O diretor Paulo Pelaipe, também demitido ontem, não mostrou a mesmo mágoa. Ele recebeu uma ligação do vice de futebol à tarde e foi à noite à Gávea oficializar sua saída. “Agradeço a diretoria, jogadores, comissão técnica e torcida por tudo”, disse.

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