Organizadas do Flamengo divulgam carta reclamando do preço de ingresso

Acordo com torcida foi feito quando time estava na lanterna do Campeonato Brasileiro

Por O Dia

Rio - O aumento no preço dos ingressos do Flamengo rendeu, nesta terça-feira, a confecção de uma carta da ATORFLA (Associação das Torcidas Organizadas do Flamengo). A organização cobra que os valores retornem ao que já vinha sendo comercializado, entre outros pontos acordados com o presidente Eduardo Bandeira de Mello.

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O grupo reclama do rompimento do acordo em manter o preço mínimo de R$ 40, feito pela diretoria do Flamengo. Na época da promessa, o clube estava na lanterna do Brasileirão e precisa do apoio da torcida. Mas com a chegada de Vanderlei Luxemburgo, e a sequência de vitórias, o combinado só durou cinco rodadas.

Outro ponto, lembrado pelos torcedores, é o treino na Gávea, aos sábados. A atividade foi feita apenas uma vez, desde que o acordo foi aprovado.

Para o jogo de domingo, contra o Corinthians, o novo preço dos ingressos já entra em vigor. O valor varia de R$ 50 (Setor Norte), R$ 70 (Sul, sendo parte destinada aos corinthianos), R$ 90 (Leste), R$ 120 (Oeste) e R$ 220 (Maracanã Mais). Sócios-torcedores têm descontos. A venda começa nesta quarta-feira.

Confira a carta na íntegra:

“Carta Aberta da ATORFLA ao Senhor Eduardo Carvalho Bandeira de Mello, Presidente do Clube de Regatas do Flamengo

Senhor Presidente,

A ATORFLA vem por meio desta, tornar público nosso repúdio ao reajuste no preço dos ingressos para a partida do próximo domingo, diante do Sport Club Corinthians Paulista.

Em uma das reuniões entre as lideranças das Torcidas Organizadas e membros da diretoria do clube, tivemos a resposta das reivindicações feitas durante os protestos antes da Copa do Mundo. Uma das respostas positivas, foi a diminuição no valor dos ingressos para R$ 40,00 (valor inteiro) no Setor Norte e que esse preço seria mantido até o fim do campeonato.

Entendemos que o clube precisa de receitas, e, vale ressaltar, após essa diminuição dos valores, tivemos média de público superior à da Bundesliga (Liga Alemã de Futebol), campeonato de maior média de público do mundo, além de ter aumentado consideravelmente a arrecadação por parte da bilheteria.

Alguns reajustes nos preços, principalmente em fases decisivas, desde que não sejam abusivos, são altamente compreensíveis. Para melhor exemplificar, se essa medida ocorresse com esses mesmos valores, em uma eventual semifinal de Copa do Brasil, seria coerente, ao nosso modo de ver. No entanto, reajustar o valor dos ingressos na segunda partida do segundo turno do Campeonato Brasileiro, com a equipe exatamente no meio da tabela, onde duas derrotas podem significar o retorno da ameaça de rebaixamento, ainda mais após as promessas citadas acima, é devidamente incabível e desleal.

Nossa paixão não é produto. Somos torcedores e não meros consumidores, pois somos movidos pela paixão ao Clube de Regatas do Flamengo, razão da nossa existência. E com grande contribuição nossa, ressaltada inclusive pelo treinador Vanderlei Luxemburgo, tiramos o time do último lugar e o colocamos em uma zona intermediária no Campeonato Brasileiro.

Queremos respeito com a Nação Rubro-negra. Gostaríamos que a diretoria cumprisse com o que foi acordado e mantenham o valor de R$ 40,00 nos ingressos. Embora sejamos maioria em todas as classes sociais, somos conhecidos por “Mulambos”, “sem dinheiro”, “favelados”, dentre outras derivações por conta de nossas características populares, inclusive pejorativas. E na atual conjuntura, ficou claro mais uma vez que somos muito mais fortes, em todos os sentidos, quando todas as classes estão unidas na arquibancada.

Além disso, aguardamos a fidelização que nos foi prometida no Programa Nação Rubro-negra, com descontos e prioridades (similar a um sistema de milhagem) para o sócio-torcedor que for a mais jogos, além do retorno dos treinos na Gávea quando as partidas como mandante forem aos domingos. Pois até agora, somente no treino realizado na véspera do clássico contra o Botafogo, o acordo foi cumprido.

Atenciosamente,

Diretoria da ATORFLA”