Por pedro.logato

Léo Moura completa marca histórica no FlamengoMárcio Mercante

Rio - Leonardo Moura do Flamengo. Assim será lembrado o camisa 2 da Gávea, espécie de cigano da bola no início de carreira, mas que sábado, contra o Santos, às 16h20, no Maracanã, completa 500 jogos com o Manto Sagrado — é o nono jogador que mais vestiu a camisa vermelha e preta. Sempre que alguém fizer uma lista dos maiores de todos os tempos do clube, terá que lembrar daquele cara que lançou a moda do cabelo moicano e tomou conta da lateral direita do Rubro-Negro por dez anos.

Uma relação de amor entre um jogador e seu time de coração que dá livro, filme e que ainda não terminou. Isso não impede, porém, que Léo Moura, ao deitar a cabeça no travesseiro, faça um balanço de sua trajetória com a certeza de que cumpriu seu papel.

“Tudo valeu a pena, todo o sofrimento lá do início, toda luta, toda batalha que passei. A sensação é de dever cumprido. Sou orgulhoso de mim mesmo. Consegui vencer, chegar até aqui. Agora é dar continuidade, jogando, ganhando títulos, que é isso que me motiva a cada dia”, disse. No fim do ano, termina o contrato de Léo Moura. E até agora, não houve qualquer conversa que aponte para a renovação.

Ele encara a situação com naturalidade e não descarta encerrar a carreira em outro clube, embora exponha seu maior desejo: “Quero ficar. Vai depender da comissão técnica, da diretoria, mas esse é o meu sonho.”

Na memória de Léo Moura, os oito títulos e os 47 gols estão registrados para sempre. A ferida da eliminação da Libertadores para o América, do México, por outro lado, não cicatrizará jamais. Entre alegrias e tristezas, fica o sentimento de gratidão.
Num hipotético discurso de despedida, o capitão do Flamengo economiza nas palavras, mas nem um pouco na emoção.

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“Eu iria dizer (numa despedida) que o Flamengo é a minha vida. Tenho todo amor, carinho e respeito por esses torcedores que sempre me motivaram e cobraram para o melhor. Queria dizer muito obrigado.”

Momentos de Léo Moura no Flamengo%3A título carioca de 2014%2C ajeitando o moicano%2C na chegada ao clube e com prêmio do BrasileirãoArquivo

Léo Moura já pensa na vida depois de encerrar a carreira, mesmo que a aposentadoria ainda não esteja no radar. Ficar distante do futebol passa longe dos planos: “Será difícil. Só não quero ser treinador, isso já decidi (risos).”

GALERIA: Léo Moura é 500: lateral-direito completa marca especial no Flamengo

VITÓRIA PARA A FESTA SER COMPLETA

O espírito competitivo serve de combustível a Léo Moura. Ele fez questão de avisar que a festa pelos seus 500 jogos termina ao soar do apito para iniciar a partida contra o Santos.
“Depois é guerra, é batalha para vencer. Senão a festa não será completa. Será uma partida difícil e quero vencer”, afirmou o lateral-direito.

O discurso encontra eco em Vanderlei Luxemburgo, que exaltou a marca de seu capitão, mas ressaltou o caráter decisivo do jogo na briga do Flamengo para se livrar de vez do risco de rebaixamento no Brasileiro.

Preocupado com o Santos, o treinador fechou o treino de ontem à imprensa, para trabalhar jogadas ensaiadas e posicionamento. E não divulgou a escalação da equipe.

“Não tem mistério. Tem partes do trabalho que pertencem apenas a nós. Se vocês noticiam, o adversário analisa, usa na palestra. Eu vou me preparar para o caso de o Santos vir de um jeito ou de outro. Eles têm que quebrar a cabeça também. Amanhã (sábado) defino o time”, disse Luxemburgo, que tem todos os jogadores à disposição para a partida.

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