Com larga vantagem, Bandeira de Mello se reelege para mais três anos no Fla

Fogo cruzado cessa, e pleito ocorre em clima de paz. Novo treinador do Mengão para 2016, Muricy Ramalho deve ser apresentado nesta terça-feira

Por O Dia

Rio - A guerra política travada nos últimos meses nos bastidores do Flamengo teve Eduardo Bandeira de Mello como vencedor. O presidente do clube foi reeleito para mais três anos de mandato, no pleito realizado na última segunda-feira, na Gávea. Bombardeado pela gestão do futebol, o grupo da Chapa Azul vai priorizar o setor em 2016. E atacará, no início do novo triênio, com Muricy Ramalho no comando técnico e Flávio Godinho como vice de futebol. O novo treinador deve ser apresentado nesta terça.

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Bandeira de Mello comemora vitória em eleiçãoDivulgação

"Vamos procurar apresentá-lo amanhã (terça), ou, no mais tardar, na quarta-feira de manhã. É um profissional excepcional e se encantou com o projeto de dirigir o Mengão", disse o presidente que anunciou também a permanência do diretor-executivo de futebol, Rodrigo Caetano. Mesmo eufórico, Bandeira manteve os pés no chão sobre reforços: "Uma coisa de cada vez. Primeiro vamos discutir com ele (Muricy) que podemos trazer."

Bandeira (1632 votos) derrotou os candidatos Wallim Vasconcellos (834) e Cacau Cotta (259). Foram 28 votos nulos. A promessa da chapa vencedora é de manutenção da política de austeridade financeira. O grupo aposta, porém, no aumento das receitas para montar um elenco competitivo.

Apesar do clima bélico que marcou a corrida eleitoral, a paz e a cordialidade predominaram ontem, na Gávea. Representantes das Chapas Azul, vencedora, e Verde, de Wallim, conversaram amistosamente durante o processo. Chamou a atenção a tropa de correligionários de todos os lados, na entrada e dentro do clube, fazendo campanha.

Votação na Gávea aconteceu em clima tranquiloAndré Mourão

Para conquistar os eleitores, no lugar do tiroteio de declarações amargas contra os adversários, a arma usada foi a distribuição de doces. Partidários da Chapa Branca, de Cacau, estavam munidos com unidades de uma marca de chocolate com o nome do candidato, enquanto os de Bandeira entregavam outro tipo, com embalagem azul.

Durante a apuração dos votos, a arquibancada do Ginásio Hélio Maurício exibia o resultado prévio. Um exército de azuis entoava gritos de guerra e cantava vitória. Depois da verificação de duas das três urnas, Wallim e Cacau já admitiam a derrota.

Bandeira e Wallim abandonaram as fardas azul e verde e acompanharam a contagem de votos com a camisa rubro-negra, ambas em modelo retrô. A do presidente trazia apenas a logo da Adidas, numa espécie de fogo amigo aos outros patrocinadores do clube. A do concorrente não estampava qualquer marca.

Com o cessar-fogo, a tendência é que o lado vencedor busque um tratado de paz. O ex-presidente Kleber Leite, aliado da Chapa Azul, afirmou que Flávio Godinho tentará trazer os integrantes da Verde de volta à diretoria, embora, a princípio, o discurso de Wallim e de seus pares seja de que não há possibilidade de diálogo. “Espero que eles possam se unir de novo após a eleição”, disse Kleber.

Sinal de que a reconciliação é improvável, Wallim, ao contrário de Cacau, não cumprimentou Bandeira pela vitória. Luiz Eduardo Baptista, o Bap, um dos homens fortes da Chapa Verde, deixou o ginásio quando, mesmo antes do fim da apuração, a derrota já estava consumada.