Ex-goleiro do Flamengo sai em defesa de Thiago e Alex Muralha

Cantarele, jogador que mais vezes atuou na posição com a camisa do Rubro-Negro, rebate a enxurrada de críticas ao preparador Victor Hugo

Por O Dia

Rio - A falha de Thiago, escalado no lugar de Alex Muralha, que errara contra o Paraná, fez com que o preparador de goleiros, Victor Hugo, fosse escolhido para cristo. Mas Cantarele, que já ocupou o cargo, considera descabida tal crucificação. O jogador que mais vezes atuou na posição com a camisa do Rubro-Negro — 557 vezes —, no entanto, afirma que teria escolhido Muralha para o jogo de quarta-feira, contra o Cruzeiro. Ele tenta apontar um caminho para que se solucione o problema até a segunda final da Copa do Brasil, dia 27.

Muralha foi muito criticado pela torcidaGilvan de Souza / Flamengo / Divulgação

“Eu acho uma injustiça jogar a culpa no Victor Hugo. Ele só treina, não vai jogar. Já fez bons trabalhos em outros clubes. O Flamengo está numa fase de erros, de falhas. Tem que analisar e alterar os exercícios. Mostrar, fazer vídeo, corrigir. Hoje, tem tecnologia que ajuda. Ele está sendo culpado porque os goleiros estão repetindo os erros e acaba respingando”, disse.

Victor Hugo chegou ao Flamengo em 2015, junto com Muricy Ramalho. Com o treinador, conquistara o Brasileiro de 2010. Também trabalhou no Botafogo. O currículo indica competência, embora não sirva de blindagem a questionamentos, principalmente no tribunal das redes sociais.

Thiago falhou contra o CruzeiroGilvan de Souza / Flamengo / Divulgação

Parte do júri online já o condenou, com a hashtag #foraVictorHugo. Uma das evidências apresentadas para sustentar a sentença é um vídeo. Nele, são comparados os exercícios de aquecimento realizados por ele com Thiago e os executados pelo preparador Robertinho e o goleiro Fábio, do lado do Cruzeiro.

Cantarele defende o diálogo. Segundo o ex-goleiro, Victor Hugo precisa apresentar seu diagnóstico sobre os recentes erros e ouvir os argumentos dos goleiros.

Quando ainda jogava, Cantarele, se falhasse num jogo, torcia logo pela chegada da próxima chance de se redimir. Mesmo assim, se técnico do Flamengo fosse, ele não escalaria Muralha ou Thiago no Brasileiro, antes da final: “Eu faria trabalho psicológico e aumentaria o ritmo de treinamento. Eu joguei 19 anos no Flamengo. Senti essa pressão.O goleiro tem que se esquecer do mundo, jogar 90 minutos. Eu teria escalado o Muralha. Ele não erraria duas vezes, e o Thiago não entraria no fogo. Agora, perdeu os dois”.