Fluminense escolhe neste sábado o seu presidente

Deley e Siemsen disputam a presidência do clube pelos próximos três anos

Por O Dia

Rio - Com cerca de 8 mil sócios aptos a votar, o Fluminense conhecerá o presidente que comandará o clube no triênio 2014/15/16. Candidato à reeleição, o advogado Peter Siemsen, representante da chapa ‘Orgulho de Ser Tricolor’, tem como concorrente o deputado federal e ex-jogador do clube Deley, da chapa de oposição ‘O Fluminense Somos Todos Nós’.

O pleito será realizado na sede das Laranjeiras, entre 9h e 18h. Confira, na entrevista abaixo, as principais propostas e opiniões dos presidenciáveis.

Peter tem o apoio de Celso BarrosDivulgação

METAS DO TRIÊNIO

Siemsen: “Nos últimos três anos, o Fluminense avançou muito, mas ainda temos objetivos importantes como construção do CT profissional, a separação do futebol em relação ao lazer e esportes olímpicos e, sem dúvida, a meta dos 100 mil sócios, que dará uma autonomia muito grande. Continuaremos trabalhando na questão redução da dívida.”

Deley: “Espero o Fluminense com futebol planejado, esporte olímpico fortalecido, sede social sendo uma referência, como no passado. Quero </MC><MC2><MC>dar transparência ao clube, o que não temos visto. Pretendemos criar a Fundação Tricolor e separar o futebol do esporte olímpico e do social. Vou buscar leis de incentivo e outras coisas que a atual administração desconhece. Acho que vou errar menos do que muita gente, pela experiência de ser ex-jogador.”

DÍVIDA

Siemsen: “Saímos da segunda para a quinta maior dívida entre os clubes. Da trabalhista, R$ 28 milhões foram pagos. A fiscal estamos equacionando. Nos próximos cinco anos pagaremos um valor bem alto de parcelas. Fechamos 2012 com R$ 440 milhões de dívida. Creio que em 2014 começaremos a reduzir o valor. O clube paga rescisões trabalhistas e impostos, o que não acontecia.”

Deley: “Semana que vem vamos ter a instalação da comissão especial na Câmara para tratar das dívidas dos clubes. O problema não é apenas o Fluminense, é o futebol brasileiro. Vários estão sufocados e é preciso achar caminho para pagar a dívida. Olha o sufoco do Vasco. Temos que discutir, não adianta ser sozinho. É preciso que clubes, governo e políticos se unam para achar soluções e para criar mecanismos que impeçam que as irresponsabilidades fiscais do passado se repitam”.

Deley é um dos ídolos da história do FluDivulgação

ALTA FOLHA SALARIAL

Siemsen: “O Fluminense reduziu o custo de sua folha e não está entre as cinco maiores da Série A. Hoje, está em R$ 4,3 milhões. Quando assumi, estava em R$ 6 milhões. A tendência é saber trabalhar de forma equilibrada.”

Deley: “Salário alto é relativo. A gente tem expertise que o atual presidente não tem. O futebol não é a praia dele, basta ver o que aconteceu com o time depois que assumiu a vice-presidência de futebol. O salário alto, se for um cara que produz em campo. Vai depender.”

RELAÇÃO UNIMED

Siemsen: “O momento difícil que vivi foi durante a saída do técnico Muricy Ramalho. Desde então, melhorou. Leio muito boataria, mas futebol envolve muita política. Sabemos que, ao separar Celso Barros e Peter Siemsen, as pessoas entendem que podem fragilizar politicamente o Fluminense, o Peter. Tenho uma relação ótima com Celso. Quero fortalecer a parceria e o modelo não deve mudar. O Flu vem se fortalecendo para participar de forma mais efetiva no projeto. A parceria tem tudo para durar muitos anos.”

Deley: É preciso harmonia melhor, não adianta tentar negar que houve problemas, até porque ele (Peter) não consegue negociar com ninguém. Acho que precisa criar fidelidade maior entre clube e patrocinador, fortalecer mais a relação, até porque é o melhor patrocínio do país. Como o grande problema do Fluminense e dos clubes é a dívida, esse modelo de patrocínio ajuda e ninguém tem. Tem que ser uma relação de respeito, não pode haver conflito (nas contratações). Trocar ideias é normal, ninguém é dono da verdade.”

MARACANÃ

Siemsen: “O contrato com o consórcio permite ajustes no modelo, mas no momento estamos muito satisfeitos. O resultado da receita líquida é excelente pela fase que estamos. Temos a sexta melhor média de público e uma proteção. Mesmo num momento ruim, jogamos sem custos. A receita nos permite trabalhar com promoções. Temos lado fixo da torcida, vestiário exclusivo. Jogamos muitos anos com prejuízo. O potencial de receita líquida média é bom.”

Deley: “Acho o contrato com o Maracanã medíocre. Não é transparente, você não sabe o que tem nele, nem o conselho do clube. Poderia ter negociado muito mais coisas, que é o que o Flamengo está fazendo. Tinha que juntar os quatro clubes e discutir com o consórcio. E ainda fez um contrato de 35 anos com modelo novo que não sabe se vai dar certo. Vamos rediscutir e tornar público o contrato.”

CT E XERÉM

Siemsen: “Aguardamos a licença ambiental para avançar. Mudamos o projeto, será mais barato construir na vertical. Em Xerém, reformamos cinco campos e a moradia. Falta trazer a área técnica para mais perto. Estimamos investir cerca de R$ 3,5 milhões.”

Deley: “Há coisas que sinceramente... Quem viu esse terreno? O CT é prioridade e queremos que saia do papel. O São Paulo captou R$ 25 milhões para o CT de Cotia. Queremos mudar o conceito atual para modelo que forme o atleta-cidadão. Vamos investir na formação dos jogadores.”

SEDE SOCIAL

Siemsen: “Além da reforma do complexo de piscinas e da criação do espaço de tiro indoor, reformamos o parquinho, toda a parte elétrica e o salão nobre. Construímos museu, bar temático. O desafio é construir campo soçaite, quadra de tênis coberta, piscina de lazer e aumentar o estacionamento. Hoje são 12 mil sócios plenos que podem utilizar o clube.”</CW>

Deley: “Fiquei deprimido com a sede, em estado de abandono. O que proponho é a criação da Fundação Tricolor. Quero separar o futebol do social e do olímpico. Assim fica mais fácil captar recursos. Com R$ 1 milhão de incentivos por ano podemos levar atrações às Laranjeiras. A sede é linda e já foi referência cultural.”

REFORÇOS E 2014

Siemsen: “Mapeamos o mercado na busca de jogadores com potencial de despontarem. A ideia é buscar equilíbrio entre finanças e resultados para tentar ser eficiente. O Fluminense está trazendo Conca, que se juntará a essa forte espinha dorsal, com jogadores de seleção brasileira.

Deley: “Não adianta ficar falando. Só posso dizer que sou ex-jogador, conheço. Primeiro estou preocupado com a eleição. Depois, vou fazer diagnóstico geral do clube.
A situação atual nos mostra que o planejamento foi confuso a ponto de precisar pagar bonificação para não cair.”