Fred revela medo, mas levanta a voz contra organizadas: 'Não vou me calar'

Atacante diz que tem receio de sair de casa com a filha e pede união contra a violência no futebol

Por O Dia

Rio - Fred levantou a voz contra as torcidas organizadas. Após ser pressionado na saída de um treino, o atacante do Fluminense desabafou e alertou para a violência no futebol. O camisa 9 diz que tem medo de sair de casa, mas que não vai se omitir na campanha contra os vândalos.

Fred quer apoio na 'cruzada' contra a violência no futebolFernando Souza / Agência O Dia

"Eu tenho certeza de que agora todo mundo tem de abraçar essa causa. Todos os jogadores, os técnicos que também formam opinião, torcedores, autoridades e vocês da imprensa para que seja o início do fim. Para acabar com essa violência porque o futebol é alegria. Vivenciei momentos marcantes e momentos de violência, de selvageria e de terrorismo mesmo... Passei aqui no Fluminense em 2009, onde a torcida invadiu o nosso treino, passei também lá no estádio contra o Coritiba, naquela final que a gente não caiu em 2009, passei em 2011... Grupos aí me perseguindo. Para mim, era muito cômodo, estou bem resolvido, não vou dar minha cara à tapa, mas nós estamos sentindo isso na pele há muito tempo. Quem não se lembra daquela Copa São Paulo de Futebol Júnior onde a gente via um agredindo o outro do nada, onde houve mortes. Teve agora lá no Paraná, teve com a gente no Fluminense. O que eu quero deixar bem claro é que isso é um problema crônico do Brasil, não é um problema aqui só do Fluminense ou só com o Fred. E todo mundo tem que abraçar essa causa", disse Fred em entrevista à TV Globo.

O atacante relembrou o último episódio em que foi pressionado por torcedores.

"Quando eu saí, apareceu cerca de trinta torcedores xingando e dando tapa no vidro, dando bico no carro. Tinha quatro seguranças tentando conter. Naquilo, só consegui melhorar mesmo aqui na minha casa. Eu cheguei numa pilha. E naquela situação, meio que na reação, eu não acelerei neles, mas fiquei sem o que fazer e deixei o carro ir. E ali na saída nós estamos numa avenida, né? Vinha um caminhão e freou bem perto. Eu assustei com aquele tipo de coisa. E aí passou o filme inteiro na minha cabeça de tudo o que eu vivi. Já é a quarta vez na semana que eles aparecem, daqui a pouco eles estão entrando em vestiário. E uma semana antes um torcedor entrou no nosso vestiário e não encontrou a gente, só encontrou alguma molecada da base. A partir dali, falei: “Opa, o negócio está começando a piorar”. Conversei com a diretoria para ser mais severa nessa punição, nessa proteção, nessa blindagem para nós jogadores", disse Fred, que revelou ter receio de sair de casa:

"Ir à praia quando está perdendo, você não pode fazer isso. O que tenho mais medo é de alguma covardia, alguma maldade. Peço a Deus para que me proteja, porque eu tenho medo de sair com minha filha e um grupo de seis, sete, pegar e fazer alguma maldade. “Ah, você fez aquilo, você foi contra a gente”. Porque hoje, algumas torcidas organizadas, alguns grupos, algumas facções vivem disso. Tem grana por trás. Alguns conseguem até cargos políticos. Isso é perigoso, eu estou mexendo numa coisa séria. Fico com medo disso. Mas não vou me acovardar. Não tem como eu simplesmente falar: “Estou tranquilo, resolvido, o futebol já me deu tudo mesmo, agora estou sossegado”. Não vou me calar. Vou continuar brigando por um futebol feliz porque, quando eu parar de jogar, quero pegar meus filhos e levar para ver jogo do Fluminense, sentar na arquibancada com alegria, cantar as músicas... Eu quero fazer isso."