Por pedro.logato

Rio - Levir Culpi chega ao Fluminense esbanjando sinceridade, bom humor e otimismo. O novo treinador tricolor, que assinou contrato até o fim do ano, não deixa de pensar grande e acredita que com os jogadores disponíveis pode fazer o Flu brigar por títulos nas competições que disputar. Além disso, Levir elogiou o trabalho de Marcão como treinador interino, criticou a desoganização do futebol brasileiro e afirma que o incomoda enfrentar o Botafogo, um dos seus ex-clubes.

Levir Culpi foi apresentado ao lado do diretor executivo%2C Jorge Macedo e do presidente%2C Peter SiemsenAlexandre Brum / Agência O Dia

JEITO BRINCALHÃO

“Vocês sabem que eu gosto de brincar. As entrevistas ficaram muito chatas. Por vezes, não me conformo com certas perguntas e falo algumas bobagens. Espero que me entendam. Sou sincero, uma qualidade maldita. Mas falo a verdade. O Fluminense dispensa comentários”

DIAS RUINS

“Mas às vezes fico mal-humorado. Ninguém tem só alegria, temos dias ruins. É aí que se conhece as pessoas. Quero sair daqui com muitos amigos e especialmente bons relacionamento. Os seres humanos são parecidos.’

BUSCA POR TÍTULO

“Seria ótimo ser campeão aqui, é um objetivo. O Rio dispensa comentários. Os clubes têm tradição. Estar na sede do Fluminense é fazer uma viagem. Estilo colonial. Quero ser campeão aqui, é um objetivo legal.”

MARCÃO

“O que eu mais gostei no jogo contra o América foi o Marcão, que não jogou. Fez as trocas corretas. Preservou Pierre, que tinha cartão. Fez time ofensivo. O potencial do Fluminense é o mesmo dos outros times do primeiro nível do Brasil. O problema do Fluminense é o mesmo dos outros times do Brasil: não tem um conjunto em campo”

TRABALHO A LONGO PRAZO

Vai ficar acoplado aos resultados. Tem a parte extracampo. A minha realidade é a brasileira. Ganhou está bom, perdeu está ruim, tem que mexer. É mais ou menos assim. Temos que procurar os resultados. Estou com isso na cabeça. Infelizmente as coisa funcionam deste jeito no futebol brasileiro. Vou fazer o que eu acho que tenho que fazer.”

RELAÇÃO COM FRED

"Já falei com ele, tivemos oportunidade de trabalhar com ele quando era jovem no Cruzeiro. Realmente diferenciado, dispensa comentários. Espero que se reencontre. Começa a trabalhar hoje. Fiquei sabendo que gosta de ir direto para o jogo. Em breve estará em campo”

Levir Culpi assinou até o fim do anoAlexandre Brum / Agência O Dia

ELENCO

“Temos um elenco qualificado e que não deixa a desejar. Temos condições de chegar em primeiro lugar. Por isso temos que dar padrão ao time para o torcedor saber como joga o time. Eu gosto e trabalhar com a filosofia, o DNA de cada clube. No Atlético-MG a torcida gosta de um time rápido, que chega com velocidade no ataque. Já o Fluminense eu vejo um time que gosta de ter a posse de bola.”

ENFRENTAR UM EX-CLUBE

Nunca é bom. Não gosto de jogar contra os clubes que passei, como o Botafogo, porque costumo deixar amigos. Meio constrangedor. Não me sinto muito feliz. Mas faz parte da profissão. A ideia é vencer.

PIERRE

O Pierre me deixou impressão boa quando estava no Atlético-MG. Assassinaram o irmão dele na Bahia. Ele foi ao enterro e e no dia seguinte voltou para jogar. Coloquei ele como capitão naquele jogo. Profissionalismo merece ser respeitado. Ele vai ser tratado como os outros. Mas o relacionamento atleta e técnico é tranquilo.

RIO DE JANEIRO

Eu vejo o futebol carioca parecido com o futebol nacional. O futebol brasileiro é uma bagunça desorganizada e estamos longe e chegar numa organização do nível do futebol inglês. Temos que nos organizar no futebol para darmos alegria aos torcedores. O futebol e um reflexo da bagunça que vivemos na sociedade, na saúde, na política e etc.

AUSÊNCIA DO MARACANÃ

“É esquisito. Até esqueci da pergunta que me fez. Claro que me preocupa. Não tem como escapar disso. Tem de se adaptar. É um agravante à campanha. Onde vamos jogar? Tem a logística... é ônibus ou avião? Estamos aqui para solucionar isso”

JOVENS

Não tenho exatamente um plano a eles. Se eu chegar aqui e sentir que um menino de 18 anos tem qualidade, vai jogar. Não tem essa de que se é do júnior... Futebol não tem idade, tem produtividade.

TECNOLOGIA NO FUTEBOL

“Acho que vamos continuar sofrendo com erros, assim como os presidentes sofrem com os erros de técnico, e os torcedores com erros de time. Sou a favor, desde que não quebre muito o ritmo do jogo. Um ou dois pedidos por tempo, por exemplo. Temos que dar a chance ao árbitro de errar menos. Acho válido.”

VIDA PÓS ATLÉTICO-MG

“Não senti se mudei algo. Demorei para desacelerar. Enveredei para o lado das palestras, que é o mercado que está dando mais dinheiro atualmente. Mas trabalhar com futebol é melhor.”

REFORÇOS

“Posso observar. Vamos pensar isso com carinho. Se aparecer algo bom, se faz. Assim como pode sair algum jogador. Especialmente pelos empresários. Sempre quer colocar alguém, tirar alguém.”

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