Uma novata com a bola cheia na seleção feminina de futebol

Revelação da Seleção, gaúcha Andressinha é a esperança de conquistar o ouro inédito para o futebol

Por O Dia

Rio - A volante Andressinha tinha apenas um ano de idade quando o futebol feminino estreou nos Jogos Olímpicos, em Atlanta-1996. Incentivada pelo pai, seu Eliseu, a menina cresceu com a bola nos pés, na região missioneira de Roque Gonzales, no interior do Rio Grande do Sul, tentando imitar as jogadas que via pela TV das craques Marta, Formiga e Cristiane. Dezenove anos depois, Andressinha é a caçula da seleção brasileira, é uma das promessas da nova geração.

“É um privilégio jogar ao lado da Marta, da Formiga, e de todas as meninas. Sempre as vi pela TV, sonhando um dia jogar com elas. E hoje é possível. Eu tento aproveitar para ganhar o máximo de experiência”, diz a jogadora de 20 anos, que estreou na seleção brasileira com apenas 15, no Mundial sub-17.

Andressinha foi um dos destaques da seleção brasileira na conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto%2C em julhoMowa Press

Andressinha foi titular em todas as partidas do Brasil. Uma rotina que se sucedeu nos anos seguintes graças à grande habilidade e visão de jogo. A baixinha boa de bola, que dificilmente errava passes, foi titular e capitã das seleções sub-17 e sub-20 e chamou a atenção do técnico Vadão, que a convocou para a equipe principal.

JOGADORA VERSÁTIL

“Sempre que me perguntam sobre o futuro do futebol feminino, falo da Andressinha. Ela é uma jogadora espetacular! Mas evito fazer comparações com qualquer outra. Ela é a Andressinha e tem muita habilidade”, analisou Vadão, tentando evitar comparações com Marta, eleita cinco vezes a melhor do mundo.

Vadão tem razão em não procurar semelhanças com a maior jogadora brasileira de todos os tempos: elas são mesmo diferentes. Enquanto Marta é jogadora de finalização, Andressinha gosta de organizar o jogo. “Eu posso jogar de volante ou de meia, chegando um pouquinho mais no ataque. Mas a minha característica mesmo é de articular o jogo, de deixar uma companheira na cara do gol. Sou mais jogadora de passes”, garante a esperança brasileira.

ÚLTIMA CHANCE PARA MARTA E FORMIGA

Após duas medalhas de prata em Atenas-2004 e Pequim-2008, o sonho do ouro é obsessão entre as meninas. Ainda mais para uma novata.

“É uma oportunidade incrível, um prazer poder disputar uma Olimpíada em nosso país. A gente vem sonhando com essa medalha de ouro há muito tempo. O futebol feminino já conseguiu a medalha de prata, mas falta a de ouro para consagrar essas meninas que já lutaram tanto pelo esporte”, analisa Andressinha.

Ainda mais sabendo que esta pode ser a última Olimpíada de duas referências. “Talvez seja a última Olimpíada de Marta e Formiga e elas merecem muito isso. Eu almejo essa medalha de ouro, que seria incrível dentro de casa, ao lada da nossa família e da nossa torcida”, acrescenta.

Um sonho que ficou mais forte após a criação da Seleção permanente. “A gente ficou o ano todo se preparando. Teve o Mundial e também o Sul-Americano. Estão investindo um pouco mais. Não é o ideal, mas as coisas estão evoluindo”, ressalta Andressinha.

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