Luta em dobro pelo ouro no Rio

Medalha de bronze em Londres, Adriana Araújo quer ir longe na Rio-2016 e sonha agora com o lugar mais alto do pódio

Por O Dia

Adriana Araújo começou no boxe graças à insistência de uma amiga%2C em SalvadorDivulgação Nissan

Brasília - A emoção quase nocauteia Adriana Araújo quando ela fala da importância do boxe na sua vida. Aos 34 anos, a baiana que relutou em aceitar o convite de uma amiga para entrar num ringue hoje fica com os olhos marejados ao lembrar sua trajetória. Em Londres-2012, ela fez história com o bronze na categoria peso leve, quebrando um jejum de 44 anos. Até então, o país só havia conquistado uma medalha no boxe olímpico, no México-1968, com o bronze de Servílio de Oliveira. Ainda na capital inglesa, o país ganhou o bronze com Yamaguchi Falcão e a prata com Esquiva Falcão.

“Como atleta, tenho a grande gana de conquistar não só uma medalha, mas de preferência ser campeã olímpica. Eu trago na bagagem de Londres a experiência de estar dentro de uma Olimpíada. É um momento único. Eu quero ser campeã olímpica e sei que várias atletas querem isso também. Eu vou lutar em dobro. Quero mudar a cor da minha medalha”, avisa Adriana.

Ela conta que o boxe brasileiro chegou a Londres sem grandes expectativas, mas surpreendeu com três medalhas: “Era um esporte em que muita gente não acreditava pelo fato de a modalidade não trazer resultados expressivos.”

Após Londres, ela teve divergências com a Confederação Brasileira de Boxe e ficou longe da Seleção. “Infelizmente, fiquei afastada. Foi um momento chato da vida que passei. Mas hoje se resume em felicidade”, diz.

Adriana conheceu a luta graças a uma amiga: “A gente jogava bola juntas. Ela entrou no boxe e gostou tanto que me convidou. Rejeitei durante dois meses, dizendo que ela era louca e que aquilo não era coisa para mim. Ela insistiu até que aceitei. Tive a primeira aula e me empolguei.”

Adriana conduziu a tocha olímpica no primeiro dia do revezamento%2C em BrasíliaDivulgação Nissan

A pugilista, que chegou a trabalhar numa empresa de eletricidade em Salvador, emociona-se ao falar da importância do esporte em sua vida: “Resumindo, o boxe é o meu segundo amor, abaixo de Deus. Até me emociono. É a minha estrutura de vida. O boxe me ajudou muito a me levantar. Quando tive a perda dos meus pais, foi através do boxe que eu consegui permanecer firme na vida. E me ajudou a conhecer novas culturas e a ter amigos pelo mundo.”

Na semana passada, ela teve a honra de conduzir a tocha olímpica em Brasília. “Ali passou toda a dificuldade da vida. Foi emocionante”, afirma Adriana, que treina em São Paulo, mas sempre que pode mata a saudade de Salvador: “A primeira coisa que faço é comer acarajé e moqueca. A praia, a alimentação, a família e os amigos são importantes para me recarregar.”

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