Natação desperta para o sonho do ouro

Com finais à noite, sono dos atletas receberá atenção especial

Por O Dia

Rio - Com o dobro da delegação enviada a Londres, a natação brasileira pensa alto e projeta o melhor desempenho de sua história na Olimpíada. Para alcançar o objetivo, os nadadores terão de encarar os adversários na piscina e um novo fator que causa preocupação e leva a cuidados especiais: o horário das finais. Ao contrário de outros eventos, as disputas por medalha na Rio-2016 serão entre 22h e meia-noite, o que obriga a mudanças na rotina.

Nicolas Oliveira garante não estar preocupado com o fato de ter de disputar as finais olímpicas da natação entre 22h e meia-noiteSatiro Sodré / SS Press / Divulgação

Com esse horário tão tarde, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) programou trabalhos especiais e uma clínica do sono nesta reta final. Tudo para que os atletas que disputarão mais de uma prova possam dormir o quanto antes, apesar da adrenalina pós-competição, e acordar mais tarde. Assim, evita-se desgaste maior, por cansaço e por sono, na competição do dia seguinte.

“É uma variável a mais que complica, impacta na fisiologia de cada um. Eles nunca participaram de competições nesse horário. Vamos trabalhar para chegarem adaptados. Os três primeiros dias não serão fáceis”, explicou o superintendente executivo da CBDA, Ricardo de Moura.

Assim, durante a aclimatação, de 24 de julho a 2 de agosto, em São Paulo, os nadadores treinarão nos horários da competição e das finais. Terão de acordar às 9h, tomar café das 9h30 às 10h30, jantar às 23h e ir para os quartos à meia-noite. Além disso, farão trabalhos específicos como exposição à luz em locais fechados e óculos especiais para acostumar o organismo. Nos quartos da Vila Olímpica, a CBDA tentará instalar cortinas blackout para que os atletas possam dormir mais.

“Achei que o fuso horário fosse o único fator que influenciasse, mas aprendi um pouco mais sobre essa questão da luz e da temperatura corporal, que cai à noite. Estão tomando medidas para minimizar, mas sou tranquilo, tento não ficar bitolado com esses fatores. Vamos ter que nos adaptar e levar da maneira mais tranquila possível”, disse o nadador Nicolas Oliveira.

Cesar Cielo: apoio ainda indefinido

Fora da Olimpíada, ao não conseguir a classificação, Cesar Cielo ainda não tem participação garantida no apoio à equipe brasileira. O campeão olímpico dos 50m livre é visto como peça importante pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), mas ainda precisa de tempo para superar a decepção de ter ficado fora da competição no Rio de Janeiro.

“Cesar não está descartado nunca. Conversei com ele semanas atrás e ele ainda está impactado com tudo o que aconteceu. Vamos aguardar um pouco mais. Obviamente ele vai entrar no momento em que ele se sentir bem e preparado para ajudar a equipe”, explicou Ricardo de Moura, ressaltando a importância de Cielo: “A natação brasileira o tem como referência.”

Últimas de _legado_Olimpíada