Elas têm a força no rúgbi

Campeãs e 'donas’ da América do Sul, meninas do Brasil deixam dificuldades para trás e vivem um sonho na Olimpíada

Por O Dia

Rio - O rúgbi estará de volta aos Jogos Olímpicos após 92 anos de ausência, e o Brasil estreará em casa. Uma honra e tanto para as atletas brasileiras, que viverão o ápice de um sonho após passarem por tanta dificuldade para poder praticar o esporte.

Na Seleção desde 2004%2C Beatriz Baby vai liderar o time na Olimpíada do RioFotojump

Apesar do sucesso no continente (11 vezes campeã sul-americana e sem nunca ter perdido para as rivais), a Seleção feminina sofreu por anos com a falta de apoio. As meninas até fizeram ensaio sensual em um calendário para arrecadar dinheiro para viajar e disputar o Mundial de 2009, em Dubai. Uma das remanescentes daquela geração é Beatriz ‘Baby’ Muhlbauer, única atleta carioca na equipe e que começou no esporte em 1998.

“Sempre tivemos dificuldade, ninguém apoiava. Bancávamos tudo. Agora, nossa vida mudou, tivemos apoio e estrutura, o que permite evolução maior”, afirma Baby, presente na primeira equipe brasileira, em 2004, e que faz questão de passar toda a experiência às companheiras.

“Não falo cobrando. Conto histórias para elas darem valor ao que têm hoje. É importante resgatar a história de dificuldade, para todas honrarem essa camisa.”

Um talento solitário

Quem também sofreu com a falta de estrutura do rúgbi no início foi Edna Santini. Ela conheceu o esporte por intermédio de um projeto social em frente à sua casa em São José dos Campos (SP). À época, Edna tinha 10 anos e era a única menina que mostrou interesse. Por quatro anos jogou com meninos. E contou com o apoio dos pais, que não se incomodaram com a diferença física.

Além da força para seguir no esporte, a mãe, Luzia, lavava os uniformes do clube e o pai, Edson, alugava um quartinho da casa para guardar o material de treino.

“Era engraçado, eu tinha que me esforçar mais para tentar me igualar aos meninos. Eram mais fortes que eu, mas até que me destacava às vezes. E eles me protegiam quando jogávamos contra outras equipes. Ganhei agilidade, velocidade e fiquei mais esperta graças a essa experiência”, conta Edna, que chegou a faltar a um teste de futebol no Santos para disputar uma competição de rúgbi.

Evolução do esporte

Edna mora em São Paulo, mas os pais seguem na casa em frente ao campo e ela pode acompanhar a evolução. “O São José tem uma equipe feminina adulta que foi terceira colocada no Brasileiro e tem um projeto só para meninas de 14 a 18 anos. Fico feliz que elas tenham mais recursos do que eu. É muito bom ver que o esporte cresceu na cidade.”

Em 2009%2C Baby participou de ensaio sensualDivulgação

Hoje, as duas atletas têm salário e vivem graças ao rúgbi. Algo inimaginável há alguns anos. Após a Olimpíada, a expectativa é a de que os investimentos continuem, apesar da crise e da saída de patrocinadores. De preferência, sem precisar mais fazer ensaios sensuais para bancar viagens e competições.

“Nossa estrutura melhorou muito, mas o momento do país está bem difícil. A ideia é que possamos atrair mais gente para jogar, torcer e pessoas dispostas a apoiar o esporte”, completa Baby.

De olho

Na Olimpíada, será disputada a modalidade sevens, com sete jogadores de cada lado e partidas curtas: dois tempos de sete minutos. A final terá dois tempos de 20.

As mulheres vão a campo primeiro, dos dias 6 a 8. Já os homens jogarão de 9 a 11. Serão 12 seleções em cada.

O rúgbi ainda tem ingressos à venda. Por R$ 60, o torcedor pode ver até seis partidas por sessão, na fase de grupos. Além do site, há postos de vendas em todo o Rio.

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