Paes comenta preparação dos Jogos Olímpicos e diz não ter medo de vaia

Sobre episódio em Angra, prefeito disse entender que revolta com economia do país seja descontada nas Olimpíadas

Por O Dia

Rio - O prefeito Eduardo Paes comentou as dificuldades de realizar os Jogos Olímpicos no Brasil no meio de uma crise política, o incidente com a tocha em Angra dos Reis, a brincadeira com os australianos e disse que está preparado para vaias no Maracanã. "É a realidade brasileira. Até disse para o presidente Temer: "fique tranquilo que o senhor receberá a vaia da largada e eu recebo a da saída (festa de encerramento)", falou ele ao jornal "Estado de S. Paulo".

Segundo Paes, o "legado olímpico" é para a cidade do Rio e ele entende a insatisfação de moradores de outros locais, que em meio a crise protestam. O sujeito só vê notícia ruim. Não estou reclamando da imprensa. É com a vida. Você tem um momento péssimo no Brasil, político e econômico. No caso de Angra, estavam lá funcionários públicos que não recebem salário da prefeitura. Não é um protesto contra a Olimpíada", afirmou.

Paes disse que ficou 'sem graça' ao encontrar delegação da AustráliaFoto%3A Severino Silva / Agência O Dia

O prefeito reiterou que um dos maiores destes é o saneamento básico na área mais pobre de Deodoro, na Zona Norte do Rio, que chegou a 100%, segundo ele. O lixão de Gramacho, na Baía de Guanabara, chegou ao fim.

Sobre a brincadeira que acabou gerando desconforto com a delegação australiana, Paes admitiu novamente que "pegou mal". "Estive com ela (Kitty Chiller, chefe da delegação australiana) na sexta-feira e fiquei com vergonha. Na garagem, todos os móveis estavam espalhados, lixo para todos os lados. Foi problema de gestão. Não tem nada ficando pronto em cima de hora. Foi uma falha inaceitável, uma pena, porque foi na largada da Olimpíada. Tinha a Vila pronta, todos os estádios, todas as obras de legado. A prefeitura entregou tudo no prazo, só falta o metrô", disse ele.

COI e política

Ao ser perguntado se o Comite Olímpico Internacional (COI) achou que não ia mais sair Olimpíada. "Se a gente não conseguia fazer análise política aqui dentro, imagina lá fora? Teve prisão do Delcídio (Amaral, ex-líder do governo Dilma no Senado), teve a condução coercitiva do Lula. O sujeito me liga: ‘What is happening?" ('O que está acontecendo?’)‘Prenderam o líder do governo no Senado. E eu... (faz som de alguém falando uma língua estrangeira incompreensível). No outro dia, liga de novo. "What is happening? Is Lula arrested?" ('O que está acontecendo? Lula está preso?') E eu para explicar... Não sabia falar "condução coercitiva" em inglês", afirmou ele.

Apesar de todas as dificuldades, ele diz que o COI trabalhou muito bem com o Brasil para realização do evento. "Imagina a presidente Dilma, com o estilo dela de diálogo, chega lá um alemão como o Thomas Bach, cobrando alguma coisa. Não vai dar certo. Quando o presidente Bach vinha aqui, a gente se reunia antes, ele perguntava: "o que você acha que eu devo falar (com Dilma)?" Eu dizia: "elogia, diz que está tudo ótimo". O COI para mim é uma enorme surpresa positiva. Não ameaçaram sair, aquelas coisas que a Fifa fazia", disse Paes.

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