Meninas do Brasil estreiam na Rio-2016 de olho no ouro inédito e no futuro

Após duas medalhas de prata em Atenas e Pequim, e uma fraca participação em Londres, Marta e cia. enfrentam a China nesta quarta-feira, no Engenhão, na abertura da Olimpíada

Por O Dia

Rio - No país do futebol, elas ainda são minoria, porém, decidiram perseverar em busca de seus sonhos. O de Giovana Machado, de 14 anos, se confunde com o da Seleção brasileira feminina de futebol, que inicia contra a China, nesta quarta-feira, às 16h, no Engenhão, a disputa pelo inédito ouro olímpico. Pela fresta do toldo que escondeu os detalhes do último treino antes da estreia, Giovana tentou encurtar não apenas a distância de ídolos como a goleira Bárbara e apoiadora Marta, mas também para o sonho de ser tornar uma jogadora de futebol profissional.

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“Sempre joguei. Costumava a jogar com os meninos, mas a turma de futebol feminino na Escola do Jockey Club (na Gávea) cresceu até pela influência da seleção feminina. Lógico que sou fã da Marta, mas gosto muito da Bárbara. Sei que ainda é um sonho distante, mas estou em busca dele”, disse Giovana.

Goleira Bárbara vai até a grade e cumprimenta a torcedora adolescente Giovana Machado Alexandre Brum / Agência O Dia

Coincidentemente, a goleira Bárbara foi eleita para conceder a última entrevista antes da estreia do Brasil. Avisada pela equipe de O Dia, a pernambucana se prontificou a conhecer a torcedora, fã e zagueira. Em casa, Bárbara e companhia assumem a responsabilidade manter vivo o sonho de meninas como a adolescente Giovana.

“Posso dizer à ela (Giovana) para acreditar em seu potencial, sonhar... Eu era uma menina sonhadora como ela, que almejava chegar à Seleção, jogar com Marta, Formiga... É inexplicável, pois estou vivendo o sonho dela. Então, foque, trabalhe, busque o seu melhor, pois tenho certeza que um dia vai acontecer. Com vontade e determinação”, disse Bárbara.

A adolescente Giovana Machado%2C de 14 anos%2C espia o treino das jogadoras que foi fechado para Imprensa.Alexandre Brum / Agência O Dia

Emocionada, Giovana não conteve às lágrimas no breve, porém, inesquecível encontro com uma de suas fontes de inspiração. Sem ingresso para acompanhar a partida no Engenhão, ela promete não tirar os olhos da TV para acompanhar a estreia da Seleção. Bárbara compartilha a mesma ansiedade e promete corresponder em sua primeira Olimpíada como titular.

“Estou há 12 anos na Seleção. Entrei como goleira titular na sub-20. Vim conquistando meu espaço aos poucos. Agora estou tento a oportunidade de entrar como goleira titular. Pretendo fazer o meu melhor”, disse Bárbara. 

Conquista inédita pode ser divisor de águas

O abismo entre o futebol masculino e feminino ainda é imensurável. A criação da Seleção feminina é um alento, porém, o caminho por conquistas iguais é complicado em razão da falta de estrutura e de investimentos em todo país. Diferentemente do técnico Vadão, Bárbara crê que o ouro olímpico pode mudar o rumo do esporte no Brasil.

“Queremos a de ouro (medalha). É a que as pessoas não esquecem. O futebol feminino conquistou duas pratas. Sabemos que os vencedores são bem vistos, tem mais visibilidade, incentivo de patrocinadores...”, disse Bárbara, prata nos Jogos Olímpicos de Pequim.

Vadão comanda treino no CFZ - Centro de Futebol ZicoAlexandre Brum / Agência O Dia


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