Por edsel.britto
Publicado 10/08/2016 23:17 | Atualizado 10/08/2016 23:18

Rio - A participação de Popole Misenga na Rio 2016 foi curta, mas ela ajudou a escrever outra página importante na história da inclusão de refugiados nos Jogos Olímpicos. Ontem, o judoca que trocou a República Democrática do Congo pelo Brasil, em 2013, a fim de escapar do conflito armado que há 22 anos atormenta a região africana em que o país se situa, venceu o indiano Avtar Singh e chegou nas oitavas de final na categoria até 90 quilos. Ele foi eliminado pelo sul-coreano Donghan Gwak, mas ficou orgulhoso de ter feito a luta contra o campeão mundial durar 4 minutos e 1 segundo. Assim como a compatriota Yolande Bukasa (70 quilos), também refugiada no Brasil, que foi eliminada na estreia pela israelense Linda Bolder, Popole deixou a Arena Carioca 2 ovacionado pelo público.

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“Estou muito feliz, muito emocionado. Eu nem sonhava em voltar numa competição assim, muito grande. Eu sou um vencedor. Meu nome está na história das Olimpíadas”, disse o integrante do Time Olímpico de Refugiados, criado para a Rio-2016.

Popole foi ovacionado pela torcida brasileiraEfe

Popole e Yolande vieram representar a República Democrática do Congo no Mundial do Rio, em 2013. Segundo os próprios, após a competição, eles foram roubados pelo chefe da delegação e decidiram ficar no Brasil. Enfrentaram dificuldades, passaram por abrigo, mas foram convidados a lutar no Instituto Reação, do ex-judoca Flávio Canto, em abril de 2015. Foram treinados por Geraldo Bernardes, ex-técnico da Seleção Brasileira e quem cuidou da trajetória de Rafaela Silva, que foi ouro nos 57 quilos.

“Eles tinham perdido a noção. Eu tive que ensinar de novo toda a regra da competição. Foi muito trabalho, em tão pouco tempo”, disse Bernardes, que foi comunicado da participação da dupla nos Jogos há quatro meses.

“A alegria desse trabalho é que chegou nesse momento e eles lutaram. Eu sabia que ia ser muito difícil ganhar do coreano. Foram quatro minutos e um segundo de luta. O Popole saiu com uma medalha (simbólica) no peito. Para mim, veio a medalha social, de ouro”

Popole, que antes dos Jogos chorou em entrevista coletiva ao afirmar que não conhece mais o rosto dos irmãos, quem não vê desde criança, trocou a tristeza pela empolgação e disse que vai continuar lutando e que buscará a revanche contra Gwak, que acabou com a medalha de bronze: “Eu vou atrás dele, vou pegá-lo.”

Casado com uma brasileira, e pai de um menino brasileiro, Popole já se sente parte do país que o abrigou. Mas vê com cautela a possibilidade de competir pelo Brasil. “Aqui já tem muito judoca bom”, afirmou.

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