Por edsel.britto

Rio - Mahau Suguimati tem dificuldade em explicar a sua identificação com o Brasil. Há 22 anos no Japão, o atleta se mostra mais à vontade no idioma do país oriental do que no português. Mas, na hora de entrar na pista, prefere vestir verde e amarelo. Foi pelo país natal que ele conquistou uma vaga na semifinal dos 400 metros com barreiras, na última segunda-feira, no Engenhão. Uma escolha feita naturalmente. Questão de sangue.

“Sou brasileiro, meu pai é brasileiro. Então, tinha que ser pelo Brasil. O Japão é muito forte nos 400m com barreiras, então, aproveitei para treinar”, disse Suguimati, que mudou de país quando tinha apenas oito anos — está com 31. 

Mahau Suguimati tem dificuldade em explicar a sua identificação com o BrasilAdriano Vizoni / Folhapress / NOPP

“Meu pai é mestiço de brasileiro com japonês. Ele queria conhecer o país, foi, gostou e, no ano seguinte, levou a família. Nós gostamos também e ficamos”, revelou o atleta.

A semifinal será realizada na noite desta terça-feira, em três baterias. Suguimati estará na segunda, marcada para 21h42. Segundo ele, o casamento da malandragem brasileira com a disciplina japonesa o ajudou a alcançar o resultado. Agora, quer mais: “Está perto (a vaga na final).”

Coube ao irmão mais velho de Suguimati apresentá-lo ao atletismo. A porta de entrada no esporte foi pelo salto em altura. Uma lesão porém, fez com que ele, aos 19 anos, mudasse para os 400m com barreiras. "Vocês viram como os japoneses são fortes nessa prova?", perguntou o atleta, antes de declarar que se sente mais japonês do que brasileiro.

Suguimati chegou em terceiro da sua bateria, com o tempo de 49.77 segundos. Seu desejo sempre foi a classificação para a final. Se ela vier, poderá pensar em objetivos maiores. Afinal, sonhar combina com a sua filosofia de vida, declarada à Rio 2016: "Onoreo Shinjiru (eu acredito, em japonês)."

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