Por edsel.britto

Rio - De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2014, a cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil. Hoje, às 13h, 11 mulheres vão pisar o gramado do Maracanã, palco histórico e quase que predominantemente ocupado por homens, para representar o país na semifinal do torneio feminino de futebol dos Jogos do Rio contra a Suécia. Marta & Cia. mostraram que podem ser tão boas quanto os milionários jogadores, mas têm sede de mais e servem de exemplo para que a sociedade acabe de vez com a desigualdade de gênero.

Com a entrega e o desempenho demonstrados na primeira fase da competição, as meninas cativaram todo um povo apaixonado pelo futebol, mas que não encontrava mais motivos para torcer pela Seleção.

Sob a batuta de Marta%2C as meninas do Brasil pisam no Maracanã de olho na finalRicardo Stuckert / CBF / Divulgação

Logo elas, que haviam perdido duas finais olímpicas para os EUA, no país em que o segundo lugar não tem valor, conseguiram ressuscitar o orgulho dos brasileiros de se verem representados em campo.

Logo elas, que não possuem sequer um campeonato nacional para se manterem em atividade durante o ano e precisaram da criação de uma Seleção permanente para que isso ocorresse. Logo elas, que não ganham nem um milésimo do que faturam os homens.

“Graças à criação da Seleção permanente, nós estamos deixando a mensagem que essas meninas, com condições de trabalho iguais às dos homens, poderão sempre mostrar um bom futebol e ser mais uma alegria para os brasileiros”, disse o técnico Vadão.
Não há no Brasil quem não tenha se emocionado e vibrado com a milagrosa classificação nas quartas de final contra Austrália. Uma disputa de pênaltis de tirar o fôlego, em que a coadjuvante goleira Bárbara assumiu o papel de heroína.

Daqui a pouco, no mais mítico estádio de futebol do mundo, um esporte que ainda não conseguiu se desvincular das raízes machistas, elas jogarão pelo país, mas principalmente pelas mulheres.

ESTREIA NO ESTÁDIO SÓ MOTIVA

O confronto da Seleção masculina com Honduras, amanhã, pela semifinal dos Jogos do Rio, marcará a estreia de vários jovens jogadores no Maracanã. Entretanto, em vez de ansiedade, o debute no palco mais importante do futebol mundial gera uma motivação a mais em parte do elenco brasileiro.

"Todos os jogadores cresceram escutando histórias, alguns aqui são do Rio, são mais identificados. Pela história e por tudo que foi vivido lá dentro, é um palco especial. É o sonho a ser realizado por todo jogador. Uma oportunidade única. Nós sabemos da história que tem o Maracanã, de tudo que representa”, disse o zagueiro Marquinho, que deixou o Corinthians aos 18 anos.

Você pode gostar