Por edsel.britto

Rio - A amizade dos tempos de adolescência ajuda no entrosamento entre as antigas rivais. Não à toa, com medalha de ouro no peito, Martine Grael e Kahena Kunze complementavam respostas ou até finalizavam frases uma da outra durante a coletiva de ontem para celebrar a conquista que manteve a tradição da vela brasileira nas Olimpíadas (18 medalhas). Estreantes aos 25 anos, as duas por pouco nem mesmo se uniram.

Antes da inclusão da classe 49er FX na Olimpíada, Martine sentiu a decepção de não se classificar para Londres-2012 na classe 470, ao lado de Isabel Swan. Chateada, ela teve uma conversa com o técnico de vôlei Bernardinho, como revelou ontem, que foi importante para recuperar a estima e seguir em busca do sonho.

Antes rivais, Martine Grael e Kahena Kunze agora são medalhistas de ouro olímpicaGuito Moreto / O Globo / NOPP

“Foi um papo marcante. Estava chateada por não estar nos Jogos e foi uma mola para mim, saí com muita vontade e grande determinação de nunca mais assistir aos Jogos da plateia”, disse Martine.

Rivais nas competições durante a adolescência, a dupla campeã chegou a disputar junta regatas da 420, mas Kahena optou por estudar na faculdade. Até que Martine escolheu a amiga como parceira da 49er FX e fez o convite, que foi aceito.

“Nossa trajetória começou muito bem, e tem muita coisa para vir. Aprendemos muito em quatro anos, não sabemos o que fazer nos próximos, mas (o ouro) é um pontapé para continuar. Você pensa o que pode fazer mais. Vamos ver”, disse Kahena.

Entrosadas, a niteroiense Martine e a paulistana Kahena também têm suas manias. Algumas divertidas, como nomear os mastros à disposição com comidas típicas do local em que estão competindo. Na Olimpíada do Rio, tinham quatro à disposição: carambola, açaí, pitanga e acerola.

“Decidimos que cada mastro teria um nome. É mais alegre do que usar 1, 2, 3”, explicou Kahena. “Na regata final (de quinta-feira) corremos com o açaí”, completou Martine.

Você pode gostar