Por fabio.klotz

Rio - Foram 12 anos até o Brasil voltar a ganhar uma medalha de ouro no vôlei de praia. Da televisão para as quadras, Alison e Bruno Schmidt repetem as história de Ricardo e Emanuel, em Atenas-2004, até mesmo nas dificuldades encontradas durante a Olimpíada. Jogos difíceis, lesão durante a campanha e o mesmo final feliz, só que desta vez com a oportunidade de comemorar em casa.

Alison e Bruno Schmidt recebem a medalha de ouroAndre Mourão/ O DIA / NOPP

"Há 12 anos eles ganhavam a primeira medalha de ouro e eu estava numa academia, assistindo pela TV. Estava no início da carreira, não tinha noção olímpica, mas lembro como se fosse ontem a comemoração e as vitórias. A semifinal deles foi parecida com a nossa. O Ricardo jogou com tornozelo machucado, eu também. Eles fizeram final contra Espanha e nós enfrentamos espanhóis no caminho (nas oitavas de final). Podemos comparar nossa conquista com a deles. Antes eu estava assistindo e hoje sou campeão olímpico", afirmou Alison, que considerou o duelo da semifinal, contra os holandeses Robert Meuuwsen e Alexander Brouwer, como o mais complicado.

"Ganhávamos de 20 a 18, o adversário saca bem, com personalidade e vira o jogo, que foi para o tie-break. Se nós não estivéssemos com cabeça e com força mental não teríamos ganho. Acreditamos em todos os momentos."

Comparações à parte, o ouro na Rio-2016 foi conquistado com muito suor, sacrifício e pouco sono. Pelo menos para Bruno Schmidt. Durante toda a competição, o atleta teve dificuldade para dormir e, no dia da final, foi dormir às 3h e acordou às 4h30. Nada que tenha atrapalhado o desempenho do campeão olímpico, acostumado a enfrentar uma grande adversidade no vôlei de praia: a altura.

Baixinho para os padrões do esporte (1,85m), Bruno seguiu em frente. Afinal, leva no nome da família um grande exemplo de perseverança e amor a defender o Brasil.

Leandro Andreão com o presente dado por Alison e Bruno Schmidt. No detalhe%2C a réplica da medalhaHugo Perruso / Agência O DIA

"Desde que comecei no vôlei de praia, todo dia é superação. Essa situação (da altura) não é fácil. No começo isso atrapalhava muito, mais fora de quadra do que dentro. Depois que você afasta os fantasmas, torna-se mais simples", afirmou Bruno Oscar Schmidt, sobrinho do famoso jogador de basquete e exemplo.

"Meu tio participou de cinco Olimpíadas, é um ídolo do Brasil pela maneira como se dedicou à Seleção. É algo de família, também tenho muita dessa determinação e paixão para e representar o país."

Confiança no ouro

Durante a coletiva desta sexta-feira, Alison e Bruno entregaram uma réplica da medalha de ouro para o técnico deles, Leandro Andreão, o "Brachola". Detalhe, compraram pela Internet no início da Olimpíada. A encomenda chegou no dia da semifinal e deu ainda mais gás ao "aumentar" a responsabilidade da dupla.

"Nada mais justo que nosso técnico receber essa réplica. Ele faz parte de um sonho. Não entra em quadra, mas ele faz parte de algo muito maior porque ele que revelou o Alison, ele que acreditou no Bruno. E olha onde estamos hoje. Ele foi peça importante, assim como toda a comissão por trás. Se pudesse, dividida minha medalha em pedacinhos para entregar a cada um", disse Alison.

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