Por pedro.logato

Rio - Medalha de prata nos Jogos de Seul, em 1988, o tetracampeão mundial Taffarel tem ótimas recordações do segundo confronto entre Brasil e Alemanha em Olimpíadas. Inspirado, ele defendeu três pênaltis (um deles aos 37 minutos do segundo tempo), viu um quarto bater em sua trave direita e saiu de campo como herói na vitória da Seleção, por 4 a 3, nas penalidades, após 1 a 1 em 120 minutos de muita emoção, pelas semifinais do torneio — mesmo assim, o ouro não veio, já que a equipe perdeu a decisão para a URSS, por 2 a 1. Hoje, porém, na final contra os alemães, no Maracanã, Taffarel acredita em desfecho diferente e, confiante, aposta que Neymar & Cia vão subir ao lugar mais alto do pódio.

Taffarel acredita em título do BrasilArquivo

O DIA: Hoje teremos mais um Brasil x Alemanha decisivo em Olimpíada. A que esse duelo te remete?

Taffarel: A uma ótima lembrança. Os Jogos de Seul, para mim, foram muito importantes. Além de um jogo inesquecível, no qual defendi três pênaltis, tive o privilégio de vivenciar o espírito olímpico.

O DIA: Qual sua maior recordação daquela semifinal?

Taffarel: O pênalti que peguei durante o jogo, quando o placar estava 1 a 1. Faltavam uns dez minutos para o fim da partida e eu sabia que tinha que defendê-lo, senão o sonho do ouro terminaria ali.

O DIA: Lembra de algum episódio curioso daquele jogo?

Taffarel: De muitos atletas brasileiros de outras modalidades na arquibancada. Foi muito legal.

Brasil busca ouro contra a Alemanha neste domingoAlexandre Brum / Agência O Dia

O DIA: O que faltou para vencer a URSS na decisão?

Taffarel: Talvez o desfalque do Geovani (suspenso) tenha nos prejudicado. Ele era importante para o equilíbrio da equipe.

O DIA: E na final de hoje, o que o Brasil precisa fazer para ficar com o ouro?

Taffarel:  Jogar como tem jogado, atacando e defendendo em conjunto. É preciso acreditar e demonstrar força.

O DIA: Vê algum favorito na decisão no Maracanã?

Taffarel: O Brasil. Joga em casa, com o apoio da torcida, cresceu na competição e está confiante.

O DIA: Que recado daria a Neymar & Cia?

Taffarel: Que entrem em campo sem carregar o peso da obrigação de ter que ganhar o ouro. Nosso conjunto é forte e tem muita qualidade. Não só os 11 titulares, mas no banco de reservas tem craque também.

O DIA: A pressão externa então não atrapalha?

Taffarel: Quem veste a camisa da seleção brasileira sabe que a responsabilidade é grande, mas quando se está preparado, essa pressão de fora até ajuda, deixa o jogador mais ligado.

O DIA: Acha que os 7 a 1 para os alemães na Copa do Mundo podem influenciar de alguma maneira?

Taffarel: De forma alguma. É Olimpíada, uma outra competição. Aquilo já é passado.

O DIA: Então você põe fé no fim do tabu na luta pela inédita medalha de ouro?

Taffarel: Acredito muito. A campanha teve um começo difícil, mas a equipe se acertou e sinto o grupo muito confiante. Desta vez, o Brasil será ouro.

O DIA: O Weverton ainda não sofreu gol na Olimpíada. Isso dá mais confiança ou é um peso na final?

Taffarel: Peso nenhum. Quando exigido, ele foi muito bem. A defesa também é coesa e a equipe toda ajuda na marcação. Podemos faturar o ouro de forma invicta e sem levar gol.

O DIA: Mas a Alemanha tem o ataque mais positivo (21 gols). Como o goleiro encara uma situação assim?

Taffarel: O Weverton está seguro, tem qualidade e vive grande momento. Ele não tem que se preocupar com a força do ataque adversário.

O DIA: O que acha de Tite na Seleção principal?

Taffarel: É um técnico que sempre teve bons resultados, tem vontade de fazer um ótimo trabalho e motivação não lhe falta.

O DIA: Brasil irá à Copa do Mundo da Rússia?

Taffarel: Nem penso na possibilidade de não ir. Vamos nos classificar. Não vão faltar trabalho e empenho.

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