Por pedro.logato

Rio - Quis o destino que Dorival Júnior, três meses após deixar o Flamengo, voltasse a procurar local para morar na cidade. Na caminhada que costuma fazer todos os dias no calçadão da praia, o comandante queima as calorias após as boas refeições e as taças de vinho que gosta de beber.

Dorival falou sobre Flamengo e volta ao VascoCarlos Moraes / Agência O Dia

É lá também que ele coloca a cabeça no lugar para encarar o desafio de reestruturar o Vasco. Há três semanas de volta ao Gigante da Colina, o treinador, campeão da Série B pelo clube em 2009, tem trabalhado para reconquistar o orgulho dos torcedores. Nesta entrevista exclusiva, ele, que comandará o time neste sábado, às 18h30, contra o Criciúma, em São Januário, garante que dias melhores virão.

ODIA: Sua volta surpreendeu muitos vascaínos. Foi difícil te convencer a assumir o time de novo?

Dorival Júnior: <MC>Aconteceu depois da saída de Paulo Autuori. Estava três meses fora do Flamengo quando houve o contato. Fiquei satisfeito com a proposta e a resposta foi rápida. No mesmo dia já estava pronto para começar novamente o meu trabalho.

ODIA: Como o Vasco, em meio a uma crise financeira, conseguiu te seduzir?

Dorival Júnior: Em primeiro lugar, sempre gostei muito do Rio. Admiro a maneira de viver do carioca. Em segundo lugar, o Vasco marcou demais a minha trajetória. Tenho um enorme respeito pelos lugares que passei, mas no Vasco vivi um momento especial em 2009. O que houve no passado gerou uma expectativa grande de retorno e isso aconteceu agora. Fico contente com o carinho da torcida e espero retribuir com bons resultados.

ODIA: Algum familiar ou amigo pediu para você não aceitar a proposta do Vasco?

Dorival Júnior: Nessas horas sempre tem alguém que diz para você não fechar. Mas conheço a história do Vasco e a seriedade dos dirigentes que estão aqui. O Vasco vai mudar a postura, sua condição e espero ajudar nesse processo todo. Quero montar uma equipe competitiva, que conquiste a confiança dos torcedores e dos novos patrocinadores. Quero que todos acreditem que o Vasco vai viver logo um momento diferente do que o dos últimos meses.

ODIA: A temporada de 2009 no Vasco deixou um gostinho de quero mais?

Dorival Júnior: Naquele ano montei o time e, por conta de alguns fatores, não pude dar prosseguimento. A sensação agora é a de continuidade no trabalho do Paulo Autuori. Aos poucos, quero dar a minha cara. Por isso espero permanecer por um bom tempo no Vasco. No meu último clube (Flamengo) não me deram essa oportunidade de cumprir o contrato por inteiro.

ODIA: O desafio agora é maior do que o de 2009?

Dorival Júnior: Acho semelhante. Foi um ano muito complicado. A gente não conseguia contratar reforços. Ninguém queria vir para o Vasco e a diretoria não conseguia trabalhar. O Vasco de hoje, tendo uma credibilidade maior, pode ter uma confiança mais rápida por parte das pessoas. Já existe uma expectativa de o clube viver um novo momento no Brasileiro.

ODIA: O Vasco precisa de mais reforços mesmo após a chegada de Fagner e Guiñazu?

Dorival Júnior: Sem dúvidas. O Vasco vai ficar atento ao mercado. Necessariamente, ainda vamos buscar alguns nomes. Precisamos resgatar a consciência de que o Vasco precisa de grandes jogadores para brigar por títulos. Entretanto, antes a gente passa por um momento de reequilíbrio da equipe para termos uma base e, com isso, conquistar o torcedor novamente. Mas é lógico que buscamos mais nomes de peso para o time.

ODIA: O elenco atualmente possui 40 jogadores. É um número alto?

Dorival Júnior: Não tem número ideal, mas vamos diminuir o elenco. Não podemos trabalhar assim, até porque não quero profissionais descontentes. E esse fator vai causar descontentamento. O ambiente hoje é muito bom, com pessoas excelentes. Mas não podemos continuar assim. Vamos respeitar as individualidades e os profissionais que não serão aproveitados.

ODIA: Como é trabalhar com o Juninho?

Dorival Júnior: Juninho é um jogador diferenciado, que é fundamental atualmente para o grupo. Ele é experiente, líder e representa muito para os jogadores. É um atleta que passa confiança. Esse tipo de jogador não existe mais no futebol e fazia falta ao Vasco. Espero poder contar com ele o máximo de jogos neste semestre.

ODIA: Após o problema com Neymar você mudou seu método de trabalho com os jogadores mais jovens?

Dorival Júnior: Tenho a mesma linha de conduta. Tomaria a mesma decisão que tomei naquele episódio (os dois discutiram após Dorival proibir Neymar de cobrar um pênalti contra o Atlético-GO e o treinador barrou o jogador em seguida). Sei que foi importante para o Neymar aprender. Antes de tudo, também somos educadores e responsáveis por um grupo. É preciso disciplina e organização. Não abro mão disso e faria o mesmo de novo.

ODIA: Você concorda com a atitude do técnico Alexandre Gallo de vetar nas seleções brasileiras de base jogadores com penteados especiais, brincos e que utilizam fones de ouvido?

Dorival Júnior: Respeito a posição dele. Entendo o que ele quer implementar na Seleção. Mas eu não me meto na vida particular de atleta. Entendo o Gallo e respeito. É uma posição dele buscando a disciplina de alguma forma que mostre que todos são iguais e que tenham uma postura no mínimo profissional.

ODIA: Ver Mano Menezes no comando do Flamengo após a diretoria ter te demitido alegando não poder pagar alto salário o incomoda?

Dorival Júnior: Sinceramente, não tenho muito o que falar. Só tenho a agradecer a quem confiou no meu trabalho lá. Demos um grande retorno ao clube, que ficou com uma equipe montada para este ano. Espero que o Mano seja muito feliz nessa nossa caminhada.

ODIA: Como é trabalhar ao lado do filho, o auxiliar-técnico Lucas Silvestre?

Dorival Júnior: Já estamos há três anos e meio juntos. É muito prazeroso. Até porque ele está me surpreendendo profissionalmente ao longo deste período. É essa postura que espero. Se for diferente, com certeza ele vai estar fora (risos).

Você pode gostar