Política, troca de técnicos, rodízio no gol... as razões para a queda do Vasco

Torcida amarga o segundo rebaixamento em cinco anos: confira os pecados capitais que levaram o Gigante à degola

Por O Dia

Rio - A torcida vascaína lamenta o segundo rebaixamento em menos de cinco anos e agora, mais do que nunca, vai ter de botar em prática novamente o canto das arquibancadas: o "sentimento não pode parar". Esse é possivelmente o pior momento do clube em sua história. Mas a queda não chega a ser uma “surpresa”. O Vasco iniciou o Campeonato Brasileiro apontando como o clube grande que mais corria risco de cair para a Segunda Divisão. E o que todos esperavam realmente aconteceu, depois de uma sequência de erros. A maioria pela falta de planejamento da diretoria, que montou uma elenco sem goleiros confiáveis, trocou de técnicos diversas vezes e não pagou os salários em dia. Além disso, a falta de sorte também deu as caras, já que os reforços não vingaram e os principais jogadores acabaram se lesionando, deixando uma equipe, que não era boa, mais enfraquecida ainda.

Confira os sete pecados capitais que levaram o Gigante da Colina a ser rebaixado pela segunda vez em um período de cinco anos.

Vasco foi rebaixado pela segunda vez em um período de cinco anos Arte O Dia Online

Falta de goleiros

O fardo de não conseguir um goleiro se arrastou desde o começo da temporada, quando o titular Fernando Prass entrou na Justiça e rescindiu o contrato com o Vasco, indo para o Palmeiras. Para o seu lugar, chegou o contestado Michel Alves, que não conseguiu ter boas atuações. Assim como Diogo Silva e Alessandro, que não passavam confiança para a torcida vascaína. O resultado: o Vasco terminou com uma das defesas mais vazadas do Brasileirão.

Troca de técnicos

O Vasco surpreendeu a todos com a contratação de Paulo Autuori. Ninguém esperava que o clube fosse conseguir um técnico desse porte, já que vivia atolado em dívidas. No entanto, o técnico chegou fazendo exigências, avisando que se o salário atrasasse não continuaria no Cruzmaltino. Falou e cumpriu. Depois de uma derrota por 5 a 3 para o Internacional, em Caxias do Sul, o comandante pediu o boné alegando atrasos nos vencimentos e assinou com o São Paulo.

O substituto foi Dorival Júnior, que já havia trabalhado em São Januário em 2009. O novo treinador chegou cercado de expectativas, estreou com derrota no clássico contra o Flamengo, mas depois emplacou uma boa sequência, perdendo apenas uma partida em sete disputadas. No fim do primeiro turno, o clube estava na 14ª colocação. Contudo, na segunda metade da competição, a campanha do Cruzmaltino foi muito fraca. Dorival só conseguiu fazer nove pontos em 36 possíveis. Diante dos maus resultados, não conseguiu resistir e foi mandado embora depois de uma derrota para Ponte Preta, por 2 a 1, de virada. O técnico deixou o clube com aproveitamento de 40%.

Para o seu lugar foi contratado Adilson Batista. O treinador tinha a difícil missão de salvar o Gigante da Colina faltando sete rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro. O novo comandante até começou bem, com uma vitória sobre o Coritiba, mas depois não conseguiu ter uma boa sequência, perdendo pontos em duelos fundamentais contra Grêmio e empatando com o Corinthians.

Briga política entre apoiadores de Eurico e opositores de Dinamite contribuiu para queda do VascoMárcio Mercante / Agência O Dia

Política conturbada

A briga política no Vasco se arrasta há anos. Em 2013 não foi diferente, já que se trata de um ano que antecede as eleições presidenciais. Diante desse panorama, os jogos em São Januário tornaram-se uma verdadeira guerra nas sociais do estádio. De um lado os defensores da atual gestão. Do outro lado os opositores, boa parte simpatizante de Eurico Miranda. O ex-mandatário, inclusive, chegou a ser hostilizado na derrota para o São Paulo, por 2 a 0. Para acabar com a discussão, seu segurança chegou a sacar uma arma.

Salários atrasados

A demora do Gigante da Colina em conseguir as Certidões Negativas de Débito, que possibilitariam que a diretoria assinasse contrato de patrocínio com a Caixa Econômica Federal, dificultou a vida financeira do clube. Os jogadores chegaram a ficar quase três meses com os salários atrasados. O clube só conseguiu quitar as dívidas com os atletas em novembro, quase no fim do Brasileirão. Sem conseguir corresponder dentro de campo, o psicológico da equipe ficou muito abalado. No entanto, os jogadores preferiam não tocar no assunto, garantindo que o grupo estava focado dentro das quatros linhas.

Poucos jogos em São Januário e desempenho ruim em casa

O Vasco utilizou poucas vezes seu estádio no Brasileirão. Boa parte dos jogos em São Januário aconteceu no primeiro turno. Do total de sete partidas na Colina histórica, cinco foram na primeira metade da competição. Isso porque o clube recebeu uma punição com a perda de quatro mandos de campo, devido a uma briga entres torcidas do clube e do Corinthians, no Estádio Mané Garrincha. O retrospecto antes de deixar o estádio também não era bom: duas vitórias, dois empates e três derrotas.

O mau desempenho como mandante continuou em outros estádios. Foram quatro vitórias, três empates e três derrotas. Sem conseguir bons resultados longe dos seus domínios, o rebaixamento foi praticamente certo.

Administração de Roberto Dinamite fica marcada por dois rebaixamentos em cinco anosOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Contratações não vingaram

O Vasco fez diversas contratações duvidosas. No entanto, alguns bons valores chegaram, como o atacante André, os zagueiros Rafael Vaz e Cris, os volantes Guiñazu e Sandro Silva e o lateral-direito Fagner. A torcida chegou a se animar e a pensar em voos mais altos no Brasileirão. Contudo, não foi isso que ocorreu. Rafael Vaz começou bem, mas perdeu espaço (a torcida reclamou de excessos na noite). Cris falhou em diversos jogos. Os volantes Guiñazu e Sandro Silva ficaram machucados um bom período e não conseguiram ter sequência. O atacante André correspondeu assim que chegou, tornando-se o artilheiro da equipe, mas depois foi barrado devido à conduta indisciplinada. O lateral-direito Fagner foi o único que se firmou na equipe titular, mas não conseguiu repetir as boas atuações que o classificaram como melhor lateral-direito de 2011.

Lesões e má condição física

Juninho, logo depois de uma partida contra o Botafogo, declarou que se tratava de um confronto entre uma equipe profissional (a do rival) contra garotos (a do Vasco). Isso devido à condição física das duas equipes. Segundo o Reizinho, o Botafogo estava bem preparado, ao contrário do Gigante. Esse mau desempenho ficou refletido nas lesões. O argentino Guiñazu, que surgiu como uma grande esperança para resolver o problema da defesa vascaína, machucou logo no primeiro jogo que entrou em campo, contra o Fluminense. Sandro Silva jogou algumas partidas a mais, mas foi para o estaleiro logo em seguida. E a principal perda do Gigante da Colina se deu logo na reta final do campeonato. Na partida contra o Santos, com um Maracanã lotado, Juninho foi bater uma falta e sentiu uma lesão. O jogador deixou o campo chorando e ficou fora do time nos últimos cinco confrontos. Sem o Reizinho, a situação, que já era complicada, ficou ainda pior. O Vasco não conseguiu superar a falta do líder e acabou não se recuperando.