Rebaixamento do Vasco: Muitos motivos para as lágrimas

Segundo rebaixamento em cinco anos e brigas marcam os vascaínos

Por O Dia

Santa Catarina - Quando o árbitro, aos 45 minutos, apitou o fim do jogo, o rebaixamento do Vasco foi confirmado, mas o clima no estádio já era pesado muito antes por causa da selvageria provocada por vascaínos e atleticanos.

Barras de ferro e pedaços de pau eram vistos em um estádio de futebol onde supostamente os torcedores deveriam ter sido revistados na entrada. A Polícia Militar alegou que era um evento particular e que só faria a segurança fora do estádio, tendo o aval do Ministério Público catarinense. Porém o MP negou ter feito qualquer recomendação ou ação para impedir que a PM atuasse na Arena.

Lágrimas marcaram rebaixamento do Vasco para a Segunda DivisãoCarlos Moraes / Agência O Dia

Outro problema foi o aumento da carga de ingressos para o Vasco. Após esgotados os 2 mil bilhetes a que teriam direito, a diretoria do Furacão ainda disponibilizou mais 1.700 para os cariocas. No entanto, o espaço, separado por uma grade de ferro só tinha capacidade para 2 mil torcedores, o que fez a segurança do estádio aumentar a parte vascaína e separar as torcidas com uma frágil corda como isolamento.

Depois de uma hora, 170 militares chegaram e o jogo foi reiniciado. Noventa minutos depois, o Vasco cairia pela segunda vez em sua história e apenas Renato Silva falou na saída do gramado.

“Sentimento? Os resultados eram certos para a gente, mas fomos infelizes hoje”.

O presidente Roberto Dinamite, que amargou seu segundo rebaixamento em cinco anos de mandato, não respondeu perguntas, apenas fez um contrangido pronunciamento aos jornalistas:

“Acho que é lamentar tudo o que ocorreu, e não só o rebaixamento. Uma coisa ruim que nós estamos sentindo, e que pela tradição o Vasco não merecia. É lamentar também o ocorrido no jogo de hoje, foge a qualquer coisa normal numa partida de futebol. Já estamos trabalhando para projetar o Vasco no ano de 2014, para que a gente possa voltar para a Primeira Divisão o mais rápido possível”.

Torcedor é removido de maca após briga generalizada Carlos Moraes / Agência O Dia

Torcedor teve traumatismo craniano de tanto apanhar

Quatro torcedores foram parar no hospital após as cenas de selvageria na Arena Joinville. O caso mais grave é o de Willian Batista, de 19 anos, torcedor do Atlético-PR, que teve traumatismo craniano e estava em observação. Estevam Viana e Gabriel Ferreira, passaram por uma bateria de exames neurológicos, mas o caso é considerado estável. Já Diogo Cordeiro teve ferimentos leves e, inclusive, recebeu alta.

O vice-presidente geral do Vasco, Antônio Peralta e o diretor-médico do Gigante da Colina, Romulo Capello, foram ao hospital São José, onde as vítimas estão internadas, após a partida visitar os feridos.

No balanço da polícia, três vascaínos acabaram detidos. Um deles foi flagrado agredindo outro torcedor com uma barra de ferro. Outros três atleticanos também acabaram indo para a delegacia, mas, ao contrário dos vascaínos, eles se envolveram em confusões fora do estádio antes mesmo de a bola rolar. A delegação do Vasco viajou à noite de Joinville para Curitiba e nesta manhã volta para o Rio.

Bananas em São Januário

O segundo rebaixamento em cinco anos deixou a torcida indignada. Revoltados, vascaínos atiraram bananas dentro da sede do clube e entoaram cantos de protesto contra o presidente Roberto Dinamite.

Antes do jogo, o clima já era de muita tensão, tanto que o clube reforçou a segurança dentro de São Januário. No entorno do estádio, os bares estavam cheios. Em um deles, o ‘Bar da Guerreiros’, os torcedores se comportaram como se estivessem na Arena Joinville. Puxaram o coro de ‘casaca’ e cantaram o hino do clube quando os jogadores entraram em campo.

Mas o entusiasmo durou pouco. Após o gol do Atlético-PR, com apenas quatro minutos de bola rolando, a confiança deu lugar ao medo e, depois, à raiva. Com a queda sacramentada, os torcedores voltaram para casa humilhados com a certeza de terem vivido um dos dias mais tristes da história do clube.

Caiu! Vasco foi rebaixado para a Série BCarlos Moraes / Agência O Dia

Vergonha

Ricardo Napolitano, repórter de O DIA: "A partida estava 1 a 0 para o Atlético-PR quando a confusão começou. E a impressão que se teve da tribuna de imprensa é que as torcidas dos dois clubes nem sequer precisaram de motivos para transformarem a Arena Joinville em um verdadeiro campo de batalha. A falta de segurança dentro do estádio era um convite à tragédia.

Bastava ter um pouco de atenção para perceber que duas barreiras feitas apenas por cordas e cerca de 15 seguranças desarmados não seriam suficientes para separar as torcidas de Atlético-PR e Vasco.

Os rubro-negros avançaram primeiro e, em maior número, acuaram os vascaínos em seu canto. Enquanto vários torcedores caíam inconscientes, em cenas que chocaram todos na arena, famílias tentavam se proteger desesperadamente. O tumulto só foi dispersado alguns minutos depois quando, então, a Polícia Militar, que estava do lado de fora do estádio, apareceu e utilizou bombas de efeito moral.

Mais um fato lamentável para manchar o futebol brasileiro e para apagar da memória"