Por pedro.logato

Rio - O primeiro duelo da final do Campeonato Carioca não poderia ter heroi mais improvável. Ao sair do banco de reservas e marcar, aos 46 minutos do segundo tempo, o gol da vitória vascaína, no clássico com o Botafogo, o atacante Rafael Silva mostrou ter a sorte dos predestinados. Mas quem o conhece de perto garante que ele não é apenas mais um talismã dos gramados.

“No futebol, poucos vencem, e ele tem conseguido o seu espaço com muito trabalho. Poucas vi no futebol alguém com tanta força de vontade. Ele lutou muito para chegar aonde está. É um sobrevivente da vida e um predestinado ao mesmo tempo. Merece tudo que está vivendo”, comentou o preparador físico do Ituano, Anselmo Sbragia, que trabalhou com o atacante e o técnico Doriva na conquista do inédito título paulista,em 2014.

Rafael Silva marcou para o Vasco e foi comemorar com a torcida na arquibancadaJoão Laet / Agência O Dia

Anselmo conta, que após o atacante voltar do Gil Vicente, no futebol português, Rafael ficou sem trabalhar. Acolhido pelo modesto Ituano, e desdobrou nos treinamentos até ganhar a primeira chance do então técnico Doriva. E não decepcionou. Em 2013, foi artilheiro da Copa Paulista— competição disputada em São Paulo, no segundo semestre— e no ano seguinte, um dos destaques da campanha histórica do Ituana,que conquistou em cima do Santos, o inédito Campeonato Paulista.

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“Ele sempre trabalhou muito e deixou o banco de reserva para virar titular e se transformar em uma referência na equipe”, ressaltou o preparador físico. No Vasco, onde chegou em abril de 2014, a história se repetiu. Pouco aproveitado ganhou espaço com a chegada de Doriva. Mas ao ser improvisado no ataque, como homem de área, não se ajustou. Foi para o banco, perdeu espaço com a chegada de Gilberto, mas não nunca desistiu.

“Não é á toa que ele foi campeão no Ituano e pode ser novamente no Vasco. Sempre teve atitude, não tem medo de errar”, garante “Esquerdinha’, seu técnico no juvenil da Portuguesa-SP, onde Rafael foi revelado. “Ele já fazia gols decisivos, já era um predestinado. Vai longe”, garante.

CAÇA RATO DE ITU SUPEROU TRAGÉDIA

Quem conhece Rafael Silva garante que seu alto astral é contagiante. Extrovertido e falante não perdoa os companheiros com apelidos. Mas não gostou do que ganhou no Ituano.

“Ele sempre gostou do cabelo moicano. A gente dizia que era igual ao do Flavio Caça-Rato. Ele se mordia de raiva, mas tentava levar na esportiva”, relembra o preparador do Ituano, Anselmo Sbragia. Apesar do cabelo irreverente, Rafael é evangélico.

Foi na igreja que ele encontrou forças para superar uma tragédia pessoal. Em 2011, sua namorada se jogou do apartamento do casal e morreu. Rafael foi considerado suspeito. Mas em 2012, foi inocentando pela polícia e seguiu sua vida em frente. “Ele superou, não teve sequelas e hoje esta mostrando o seu potencial Só lhe desejo sucesso”, afirmou Esquerdinha.

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