Por pedro.logato
Publicado 30/11/2015 23:03 | Atualizado 01/12/2015 00:21

Rio - Com a vitória do Coritiba sobre o Palmeiras, o que o vascaíno mais temia aconteceu, e, no próximo fim de semana, o Gigante, além de vencer, terá de secar seus rivais diretos. Se torcer contra o Avaí diante do Corinthians faz parte do ofício, contar com a ajuda do Fluminense frente ao Figueirense deixa incrédulo até mesmo o mais otimista dos torcedores. Mas quem respira futebol há algumas décadas minimiza a rivalidade e espera profissionalismo do Tricolor.

Renato Gaúcho conhece os dois lados. Ídolo nas Laranjeiras, foi treinador do Vasco em duas ocasiões. Para ele, o jogador tenta sempre fazer o melhor quando entra em campo.

“No futebol não existe essa coisa de entrega. Jogador é profissional, mesmo conhecendo a rivalidade entre os clubes. Eles sabem que hoje defendem o Fluminense, mas amanhã podem estar no Vasco. Falo por mim. Na minha época como jogador, o presidente do clube poderia chegar e pedir para eu tirar o pé, que eu não tirava”, disse Renato Gaúcho, antes de deixar uma dúvida no ar: “Eu não acredito em entrega, mas também não coloco as minhas mãos no fogo.”

Renato Gaúcho defendeu profissionalismo no futebolFernando Souza / Agência O Dia

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Quem também tem opinião semelhante é Joel Santana. Na visão do treinador, a desconfiança existe há algum tempo e atrapalha o futebol brasileiro. “As pessoas têm de acabar com certas lendas. Não existe essa coisa de homem da mala branca, da mala preta, entrega... O futebol é profissional. Esses mitos não existem e o Fluminense jogará para ganhar”, afirmou.

Se existe ou não entrega, contra o Corinthians, Zinho, auxiliar-técnico de Jorginho, admitiu ter perdido ao goleiro Cássio que o clube paulista diminuísse o ritmo e não buscasse o empate em São Januário, o que não aconteceu.

A pressão do lado de fora é grande, mas, dentro de campo, a relação entre os atletas de Vasco e Fluminense parece ser estreita. Na última sexta-feira, por exemplo, Nenê recebeu o atacante Magno Alves em sua casa para um culto. Eder Luis e Rafael Vaz também estiveram presentes.

Joel Santana foi campeão por Vasco e FluminenseAndré Luiz Mello

“Conheço o Magno Alves. Um cara que tem o coração voltado para Deus. Tenho certeza que o Fluminense tem mais profissionais como ele. Se eles são o que são é pela luta e não por entregarem uma partida”, completou o técnico Jorginho, convicto.

PROMESSA DE NUDEZ

Contagiado pela iniciativa da atriz Maitê Proença, o escritor Paulo Coelho, por intermédio de seu perfil no Twitter, fez um desabafo ontem. Vascaíno apaixonado, ele prometeu ficar nu, na neve, se o time for rebaixado na próxima semana para a Série B do Campeonato Brasileiro.

ZOEIRA SEM LIMITES

Se entre os boleiros o discurso é político, o mesmo não pode ser dito sobre o que rola nas redes sociais. As hashtags Entrega Flu e Eu Escolhi Rebaixar enumeram milhares de pedidos de torcedores do Flu — e de Flamengo e Botafogo também — para que o time faça corpo mole diante do Figueirense para prejudicar o Vasco.

Em uma postagem, tricolores enumeram manchetes de jornal sobre frases polêmicas de Eurico Miranda sobre o Fluminense. “Chegou a hora de dar uma lição no Vasco. Na Série B, eles podem escolher qualquer lado do Maracanã”, escreveu um torcedor, ironizando a briga entre os dois clubes pelo lado direito da arquibancada.

Em uma montagem de fotos, um outro torcedor do Flu sugere a escalação do time contra o Figueirense com Marcos Júnior no gol, Cavalieri no meio-campo, e Pierre no ataque.

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