Por douglas.nunes

Tradicionalmente bons pagadores de dividendos, os bancos não deixaram os acionistas na mão na hora de distribuir os resultados do ano passado, quando os lucros cresceram menos. Entre os cinco maiores, todos pagaram percentuais bem acima dos 25% obrigatórios, segundo levantamento realizado pela Austin Ratings, a pedido do Brasil Econômico, extraindo os dividendos da tabela mutação do patrimônio líquido informado pelos bancos em seus balanços de 2013.

"Bradesco costuma pagar bons dividendos", afirma Rodrigues, da AustinAlexandre Rezende

Os percentuais de dividendos e juros sobre o capital (JCP) pago pelos bancos Santander e Caixa Econômica sobre o lucro de 2013 foram os maiores — 68,5% e 60,9%, respectivamente — enquanto o Bradesco foi o menor, com 34%. O Banco do Brasil e Itaú Unibanco pagaram percentuais idênticos de 37,2%.

Segundo Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Ratings, por ser estrangeiro, o Santander paga mais para remunerar os controladores na Espanha, e os bancos públicos, como a Caixa, também pagam percentual maior para gerar superávit para o governo federal, seu controlador. Os 37,2% pagos pelo Itaú Unibanco representam o maior percentual pago pela instituição financeira desde 2006, quando foi de 44%. O maior banco privado do país distribui dividendos desde 1980, em percentuais em torno de 30%.

Rodrigues lembra que o Bradesco costuma pagar bons dividendos, às vezes até percentualmente acima dos pagos pelo Itaú, mas no ano passado, porém, isso não ocorreu.
Para o presidente da Austin Rating, os percentuais verificados no ano passado podem mudar um pouco neste ano. Os dois bancos que mais distribuíram seus resultados, Caixa e Santander, já avisaram que vão revisar, para baixo, os percentuais.

O presidente da Caixa, Jorge Hereda, disse durante a apresentação dos resultados do banco em 2013 que está discutindo com o governo se pode reter mais dividendos neste ano. “O objetivo é deixar a Caixa mais em linha com os demais bancos”, disse Hereda.

A ideia é cortar a distribuição a 50% do lucro líquido neste ano. Em 2013, a Caixa teve resultado de R$ 6,72 bilhões, e distribuiu quase 70% disso ao seu acionista, o governo. A Caixa também deve restringir o pagamento de dividendos por conta de maior necessidade de capital exigida no acordo Basileia III, já em vigor.

Erivelto Rodrigues observa que os casos dos bancos públicos são sui generis. “Como são controlados pelo governo, sempre estarão sujeitos a decisões políticas”, afirma. O lucro dos bancos públicos é importante fonte de receita para o governo federal. No ano passado, o Tesouro recebeu R$ 17,14 bilhões em dividendos de empresas estatais, sendo 40,8% do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e ocial (BNDES). Para 2014, o governo prevê receber R$ 24 bilhões em dividendos de estatais. A meta de superávit primário do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) corresponde a R$ 80,8 bilhões.

No caso do Santander, a expectativa também é de redução. Mas o presidente da Austin Ratings observa que, além da necessidade de remuneração aos acionistas controladores, já que o Brasil gera o segundo maior resultado do banco no mundo, a instituição, que tradicionalmente não olha muito para os seus acionistas minoritários, vem sinalizando que pode estar mudando de atitude. Recentemente lançou um portal do acionista, iniciativa já adotada pelos concorrentes.

Além de prestar atenção aos dividendos, o analista da BB Investimentos destaca que os investidores devem estar atentos à rentabilidade. “Os analistas olham mais para a rentabilidade, e o investidor olha mais para o pagamento de dividendos. Mas ambos estão relacionados. Geralmente, quanto maior a rentabilidade, mais o banco lucrou - portanto, mais terá a dividir com os acionistas”, explica Daltozo.

No ano passado, porém, nem sempre os que pagaram mais dividendos mostraram as melhores rentabilidades. Parte disso pode ser explicado pelo tamanho do patrimônio - no Santander, por exemplo, ele é alto para o tamanho dos ativos do banco, pressionando a rentabilidade.

A maioria das instituições financeiras pagam proventos mensalmente aos acionistas que mantêm suas ações em carteira por mais de um mês.

Você pode gostar